O primeiro ministro, António Costa, durante a campanha para as últimas eleições europeias, afirmou que a altíssima taxa de abstenção, na altura previsível, merecia uma “reflexão séria”. Repetiram-se as preocupações, da direita à esquerda, na alta taxa de abstenção, e a análise pós-eleições foi unânime ao anunciar a abstenção como a grande vencedora da noite eleitoral.

Esta semana, faz exactamente um mês das eleições e a preocupação com o facto de termos a sexta pior taxa de participação dentro dos 28 países da UE, e estar bem abaixo da média europeia (31% em Portugal contra 50,82%), rapidamente se desvaneceu e voltámos a discutir os habituais fait divers políticos.

Não disponho de dotes de previsão do futuro, mas parece-me que após o Verão  vamos ouvir as mesmas pessoas com as mesmas preocupações com a abstenção, os mesmos apelos ao voto, e no dia a seguir às eleições legislativas – a 6 de Outubro – a preocupação com a abstenção desvanecerá, instantaneamente, uma outra vez.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.