“É preciso dizer sempre aquilo que vemos; mas — e nisso reside a maior dificuldade — é preciso, antes de mais, saber ver aquilo que verdadeiramente vemos”.
(Charles Péguy, Notre Jeunesse).
Esta citação do escritor francês Charles Péguy resume de forma exemplar uma das críticas que podemos dirigir a muitos jornalistas, políticos, comentadores e, sobretudo, a certos “intelectuais” quando abordamos o tema da imigração massiva. Muitos reconhecem que a actual situação migratória começa a tornar-se insustentável, mas poucos têm a coragem de enfrentar o assunto. É uma característica recorrente entre os intelectuais ocidentais, sobretudo à esquerda, a tendência para fechar os olhos como forma de preservar os seus ideais (e os seus confortáveis empregos). Os intelectuais marxistas que viviam no conforto das sociedades democráticas e capitalistas ocidentais revelavam-se incapazes de relatar o que realmente observavam durante as suas viagens à URSS. Jean-Paul Sartre, que visitou a URSS sem nunca ousar verdadeiramente criticar o regime ditatorial soviético, é um exemplo perfeito dessa cegueira — tal como Bourdieu, que continuou até à morte a defender o regime dos Khmers Vermelhos.
A liberdade de expressão é um dos bens mais preciosos das sociedades chamadas “democráticas”. Contudo, não é invulgar vermos alguém ser condenado por dizer aquilo que, supostamente, não deveria ser dito — ou, mais precisamente, por afirmar aquilo que certas elites no poder preferem que a maioria não oiça. Se hoje já ninguém é preso — quanto mais condenado à morte — por expressar opiniões consideradas politicamente incorrectas, existem outras formas eficazes de silenciamento: impedir que seja convidado por qualquer meio de comunicação; pressionar empregadores para que o dispensem, sobretudo se se tratar de um jornalista; encerrar-lhe as contas bancárias (como já aconteceu em França ou no Reino Unido); ou aplicar-lhe multas pesadas. Há temas que, em alguns países europeus, não podem ser abordados sem nos expormos à retaliação de certas elites, sobretudo de esquerda. Entre eles está o polémico assunto da “imigração e insegurança”. A pergunta é simples: a imigração massiva de pessoas oriundas de culturas profundamente distintas da nossa aumenta a criminalidade? A resposta, porém, está longe de se resumir a um simples “sim” ou “não”. É complexa, cheia de nuances e varia de país para país.
Exemplo: há muitos ucranianos em Portugal, França e no Reino Unido. Costumam integrar-se facilmente, apresentam uma taxa de criminalidade muito baixa — por vezes inferior à dos próprios nativos dos países para onde emigram — e os filhos tendem a alcançar rapidamente bom desempenho escolar. A primeira conclusão que retiro de todos os estudos que li é simples: a imigração não aumenta, por si só, a criminalidade de um país, tudo depende do tipo de imigração que esse país recebe. Daqui decorre a segunda conclusão: a taxa de criminalidade varia significativamente consoante as populações imigrantes em causa. Vários factores entram em jogo, mas alguns são particularmente relevantes. Qual é a origem da maioria dos imigrantes? Provêm ou não de culturas muçulmanas? Chegam de sociedades de organização tribal, onde o clã é o alfa e o ómega da vida social? Vêm de países em guerra ou em paz? De regiões com elevados níveis de analfabetismo ou com sistemas educativos sólidos? De sociedades desenvolvidas ou de países do chamado terceiro ou quarto mundo? De contextos onde a mulher é tratada como cidadã de segunda categoria, ou de países onde as mulheres usufruem dos mesmos direitos que os homens? De lugares onde a justiça estatal é forte e imparcial, ou de sociedades onde a justiça assenta na vingança do clã — por vezes exercida pela faca? Pertencem à mesma civilização do país de acolhimento, ou a uma civilização profundamente distinta? Todas estas variáveis têm de ser cuidadosamente consideradas. Terceira e última conclusão: a esmagadora maioria dos imigrantes não comete crimes; apenas uma minoria o faz, variando essa percentagem de menos de 1% em certas populações até 5 ou 6% noutras. Não devemos, portanto, cair em demagogias fáceis; o tema deve ser estudado de forma serena e desapaixonada.
O que dizem as estatísticas?
“Em matéria de migração, estamos muito avançados. No seio deste governo federal, conseguimos reduzir os números de agosto de 2024 a agosto de 2025 em 60%, mas, naturalmente, continuamos a enfrentar este problema no panorama urbano. É por isso que o ministro federal do Interior está a autorizar e a realizar repatriamentos em grande escala. Esta política deve manter-se, pois foi o que ficou acordado dentro da coligação”.
Esta citação não foi proferida por um membro da direita radical AfD. Foi dita pelo chanceler alemão, Friedrich Merz. Quando um jornalista lhe pediu que explicasse o que entendia por “problema no panorama urbano”, Merz limitou-se a responder: “perguntem às vossas filhas o que é que eu quis dizer com isso” (fonte). Um pouco por toda a Europa, temos vindo a assistir a uma liberalização do debate sobre este tema polémico. Políticos, intelectuais, articulistas, investigadores e filósofos ligados à direita têm reconhecido cada vez mais a ligação entre “imigração extra-europeia” e “aumento da criminalidade”. E, contrariamente ao que o ministro da justiça francês Eric Dupond Moretti afirmava (posição posteriormente repetida por um ministro português), a insegurança em França — ou noutros países europeus — não é apenas um “sentimento”, mas uma realidade.
Porque razão o chanceler alemão apontou a imigração de extra-europeus — sobretudo muçulmanos — como causa do aumento da violência e da criminalidade na Alemanha? Vejamos. Já em 2024, o governo alemão, através da ministra do Interior, Nancy Faeser, afirmara que os imigrantes eram responsáveis pelo agravamento dos índices de criminalidade. Muitos dos criminosos estrangeiros estavam envolvidos nos delitos mais graves: assaltos violentos, violações, crimes de pedofilia e homicídios (fonte).
Segundo os mesmos dados, afegãos, paquistaneses e congoleses encontram-se sobrerrepresentados nos crimes de natureza sexual. Um relatório do Ministério do Interior alemão indica que, na Alemanha, os nacionais afegãos encontram-se 21º vezes mais representados nas estatísticas relativas a casos de violação de menores (fonte). Os mesmos afegãos cometem também 15 vezes mais violações do que os cidadãos alemães (fonte). Para reforçar esta associação, a ministra do Interior citou o caso de Frankfurt onde, em 2023, 100% dos assédios sexuais, 62% das violações, 54% dos homicídios e 87,5% dos roubos qualificados foram cometidos por estrangeiros, a grande maioria oriunda de fora da Europa (fonte). Após mais de vinte anos de descida contínua, o crime violento voltou a aumentar na Alemanha. Analisando os números de 2023, verificamos que os crimes violentos subiram 8,5% face a 2022, e 19,8% em 2024 relativamente ao ano anterior. Nesse mesmo ano, 923 mil suspeitos detidos pela polícia eram estrangeiros, o que correspondia a 41% do total de suspeitos identificados (fonte).
Quando observamos estes números — e recordamos o caso das agressões sexuais de Colónia na Passagem de Ano de 2016, cometidas maioritariamente por refugiados muçulmanos recém-chegados — compreendemos mais facilmente as declarações de Friedrich Merz. Já em 2019, o governo alemão fora alertado por um estudo oficial encomendado pelo Estado federal, o qual concluía que 10% dos crimes mais violentos do ano anterior haviam sido cometidos por imigrantes e refugiados, muitos deles provenientes de fora da União Europeia (fonte).
Thibault de Montbrial, uma das maiores autoridades francesas em matéria de segurança, não tem papas na língua quando afirma — em livros, artigos ou em debates televisivos — que o aumento da violência e dos crimes mais “sórdidos” está ligado à imigração extra-europeia. Para ele, crimes como o de Philippine, uma jovem violada e estrangulada até à morte por um marroquino em situação irregular, ou o de Lola, uma menina de 12 anos violada, torturada e estrangulada por uma imigrante argelina ilegal, são sintomas da descida aos infernos da sociedade francesa — descida essa provocada tanto pela imigração legal como pela clandestina, proveniente de culturas onde impera a violência religiosa, sexual e política (fonte).
Segundo o advogado, a “imigração é a mãe de todas as batalhas” quando falamos de segurança — e não apenas em França, mas em todo o Ocidente (fonte). Em suma, de acordo com Thibault de Montbrial — e convido os leitores do Observador a procurarem no YouTube as excelentes entrevistas feitas ao jurista — se as nações ocidentais não controlarem a imigração extra-europeia, a violência continuará a aumentar até atingir um nível em que, segundo o próprio, a ordem pública irá ruir e os cidadãos europeus serão forçados a defender-se eles próprios de criminosos.
A França é, presentemente, o país mais violento da Europa, de acordo com os dados da Eurostat, seguida pela Bélgica (fonte). Nos últimos vinte anos, registou-se uma verdadeira explosão de crimes violentos em território francês e, segundo o reconhecido criminologista Alain Bauer, as tentativas de homicídio atingiram níveis nunca antes observados desde o início das estatísticas — que remontam ao reinado de Luís XIV. Bauer utiliza o termo taux d’homicidité, que poderíamos traduzir por “taxa de homicididade”, caso tal conceito existisse em Portugal: trata-se da soma dos homicídios consumados com as tentativas de homicídio. Para ele, uma tentativa de homicídio é apenas um homicídio que falhou, devendo, por isso, ser encarada com igual gravidade. Assim, em 2024, registaram-se cerca de mil homicídios em França, bem como mais de quatro mil tentativas de homicídio.
Tanto Alain Bauer como o criminologista Xavier Raufer afirmam que uma parte importante dos crimes mais violentos e sórdidos, assim como uma grande parte do tráfico e das actividades de máfias, são cometidos por estrangeiros extra-europeus ou por filhos e netos destes (mas com nacionalidade francesa). Segundo o Observatoire de l’Immigration et de la Démographie, 24,9% dos reclusos em França são estrangeiros, com uma sobrerrepresentação de indivíduos provenientes do Magrebe, da África subsaariana e do Médio Oriente (fonte). Concretamente, os estrangeiros são responsáveis por 31% dos roubos violentos sem recurso a arma de fogo, 30% dos roubos sem violência, 18% dos roubos com recurso a arma de fogo e 17% dos homicídios (fonte), embora representem oficialmente apenas 8% da população francesa.
No caso dos transportes públicos, o panorama não é mais animador: na região da Île-de-France, 93% dos furtos sem violência são cometidos por estrangeiros (62% por indivíduos de origem magrebina), percentagem que cai para 64% fora da região parisiense; 66% dos furtos com violência (48% por magrebinos) na mesma região e 35% fora dela; e 63% das agressões sexuais e violações em transportes públicos são cometidas por estrangeiros (fonte). Aliás, se incluirmos as segundas e terceiras gerações de imigrantes — filhos e netos — chegamos a uma conclusão preocupante: mais de metade dos autores de crimes em França têm origens estrangeiras de fora da Europa (fonte: Tout changer avant qu’il ne soit trop tard, Le Figaro Magazine, n.º 128, 8 de Julho de 2023).
Segundo um relatório oficial do governo francês, conduzido pelo deputado Guillaume Larrivé, mais de 60% dos reclusos em França são de cultura muçulmana (fonte), muitos deles ligados a grupos criminosos de base étnica — no sentido de se organizarem segundo a sua origem — como as “máfias marroquinas”, “máfias argelinas”, “máfias comorianas” ou “máfias nigerianas”. Há cerca de um mês, o Ministério do Interior francês publicou o seu estudo anual sobre a criminalidade referente ao ano anterior. Em 2024 voltou a observar-se uma clara sobrerrepresentação de estrangeiros, sobretudo extra-europeus, em todos os tipos de crime, sem excepção — em particular nos crimes sexuais e nos crimes de sangue (fonte).
No Reino Unido, este debate também dominou os meios de comunicação. Dois casos atraíram particularmente a atenção: o assassinato de três crianças por um refugiado ruandês e, sobretudo, o escândalo das violações cometidas pelos grooming gangs, compostos quase exclusivamente por muçulmanos. Se, inicialmente, as autoridades falavam em dezenas de menores violadas, os números actuais apontam para valores entre 75 mil a 300 mil, podendo ser ainda superiores (fonte). Quanto aos agressores são, na sua esmagadora maioria, muçulmanos oriundos do subcontinente indiano e de Marrocos (fonte).
Tal como em França e na Alemanha, os números falam por si: entre 2021 e 2023, 104 mil estrangeiros foram condenados por diversos crimes em Inglaterra e no País de Gales (fonte). Destes, 38 400 foram condenados por crimes violentos, como homicídios, assaltos com recurso à força, violações e extorsões (fonte). Os estrangeiros representavam 23% dos condenados por crimes de natureza sexual, sendo que afegãos e eritreus eram vinte vezes mais susceptíveis de serem condenados por violação do que cidadãos britânicos (fonte). No total, os estrangeiros cometiam 17% dos crimes. As nacionalidades mais frequentemente envolvidas eram afegãos, eritreus, congoleses, albaneses, namibianos e somalis (fonte).
Em Londres, entre 40% e 47% dos acusados de agressão sexual e violação eram estrangeiros, provenientes sobretudo dos países já referidos, com uma presença particularmente elevada de afegãos, eritreus, congoleses, entre outros (fonte). Segundo o Centre for Migration Control, 23% das agressões sexuais e violações eram cometidas por estrangeiros, apesar de estes representarem apenas 14% da população (fonte). A taxa de condenação por crimes sexuais de cidadãos oriundos do Magrebe é 6,6 vezes superior à dos nacionais britânicos; no caso dos estrangeiros do Médio Oriente, é 3,8 vezes superior; e, entre os provenientes da África Subsariana, 2,6 vezes superior (fonte).
De acordo com Rob Bates, director do Centre for Migration Control, estes dados evidenciam o fracasso das políticas migratórias, sobretudo porque — segundo o próprio — os serviços britânicos tratam “os pedidos migratórios provenientes do Afeganistão da mesma forma que os pedidos de países como a Nova Zelândia, o Canadá ou a Austrália, quando os resultados em termos de criminalidade são radicalmente diferentes” (fonte).
A Suécia é o caso mais evidente de um país que não ponderou devidamente a sua política migratória, servindo frequentemente de exemplo quando se pretende ligar a imigração massiva proveniente do terceiro mundo ao aumento da insegurança. Este exemplo, já citado por José Manuel Fernandes na Rádio Observador, deveria ser objecto de estudo nas “universidades de verão” dos partidos.
Segundo o Conselho Sueco de Prevenção do Crime, os nascidos no estrangeiro são 2,5 vezes mais frequentemente implicados em crimes violentos do que os nativos suecos filhos de pais suecos (fonte). Já os suecos nascidos na Suécia de pais imigrantes apresentam uma taxa 3,2 vezes superior à dos suecos nativos (fonte). Em 2020, os 32 chefes de máfias mais procurados pela polícia sueca provinham todos, sem excepção, de contextos migratórios, sobretudo extra-europeus (Somália, Eritreia, Afeganistão, Marrocos, Iraque, Nigéria); 17 desses criminosos tinham chegado à Suécia ainda crianças e 15 nasceram no país de pais estrangeiros (fonte). Actualmente, a Suécia apresenta a maior taxa de mortalidade por arma de fogo da União Europeia (fonte), tendo registado, em 2018, mais de 300 tiroteios e 100 explosões de granadas, com 45 mortos e 135 feridos (fonte).
A maioria dos grupos criminosos suecos é composto por imigrantes ou filhos de imigrantes de origem extra-europeia (fonte). Segundo a polícia sueca, uma grande parte das agressões sexuais, violações e actos de pedofilia é cometida por estrangeiros, sobretudo provenientes de países como Afeganistão, Paquistão ou Somália (fonte). Um relatório governamental de 2018 indica que 58% dos criminosos condenados por violação, agressão sexual ou tentativa de violação eram estrangeiros ou de origem estrangeira (fonte). Em 2016 ocorreu um episódio semelhante ao de Colónia, quando centenas de jovens adolescentes foram agredidas sexualmente por mais de 200 “jovens não acompanhados”, todos oriundos do Afeganistão ou do subcontinente indiano, durante um festival de música para jovens, provocando um debate intenso sobre imigração no Reino da Suécia (fonte).
Segundo o investigador e ex-polícia Mustafa Panshiri, afegão chegado nos anos 80 à Suécia, muitos afegãos, paquistaneses, somalianos, eritreanos ou outros“não desejam mais nada além de se integrar à sociedade sueca. Mas também é evidente que uma minoria desses recém-chegados não tem a menor vontade de viver de acordo com as normas de seu novo país. Num relatório recente sobre agressões sexuais na Suécia, a polícia conclui: Os suspeitos de actos criminosos cometidos por grandes grupos de delinquentes, em espaços públicos, eram na sua maioria indivíduos de nacionalidade estrangeira. No que diz respeito aos casos ocorridos em piscinas públicas, os autores presumidos eram principalmente menores requerentes de asilo” (fonte).
Continua dizendo que esta problemática deve-se, primeiro, a uma diferença de valores, “especialmente no que diz respeito à sexualidade, à nudez e aos direitos das mulheres. Lembrem-se do mapa cultural do World Values Survey e da posição dos valores chamados afro-islâmicos em comparação com os da Suécia liberal. O Afeganistão é um dos países mais perigosos do mundo para as mulheres. Em seguida, os jovens afegãos isolados são lançados num ambiente onde já não estão sob o controle de sua família, do seu clã ou de um patriarca. Quando pergunto aos jovens por que razão essas agressões acontecem, eles frequentemente respondem-me: “Há demasiada liberdade na Suécia e simplesmente não conseguimos lidar com este facto”. Em terceiro lugar, o Estado sueco não está absolutamente preparado para enfrentar um problema desse tipo. As leis liberais da Suécia são famosas, e as normas são expressas de forma tácita, reflectindo a natureza pacífica da sociedade sueca »(fonte).
O tema da insegurança associada à imigração está particularmente presente em Itália, sobretudo desde a eleição de Giorgia Meloni. Uma notícia publicada há poucas semanas suscitou debate sobre os crimes cometidos por estrangeiros, ao relatar um caso que chocou o país: três imigrantes marroquinos bloquearam um carro em Roma, retiraram do veículo uma jovem de 18 anos e violaram-na à frente do namorado, obrigando-o a assistir (fonte).
Já em 2018, a polícia italiana manifestava preocupação com o aumento dos crimes violentos ligados à chamada “Black Axe”, a máfia nigeriana, considerada extremamente violenta: homicídios, tortura e exploração sexual de milhares de mulheres nigerianas, muitas vezes sujeitas a abusos logo à chegada a Itália. Esta máfia não hesita em recorrer à violência extrema, chegando a confrontar-se com a Camorra (fonte). Em 2024, a jornalista italiana Francesca Totolo publicou o livro Le Vite delle Donne Contano: Lola, Pamela e Diserée. Quando l’immigrazione uccide, no qual aponta para um aumento de violações em Itália, algumas acompanhadas de homicídio, afirmando que grande parte destes crimes são cometidos por imigrantes e refugiados extra-europeus (fonte).
Segundo dados da polícia italiana, em 2023 cerca de 38% das violações foram cometidas por estrangeiros — sobretudo marroquinos, nigerianos, tunisinos, egípcios ou argelinos —, quando estes representam apenas 8,7% da população. Entre 2018 e 2023, cerca de 12 000 italianas foram vítimas de violência sexual por parte de estrangeiros, algumas dessas situações resultando em homicídio; se forem incluídas agressões sexuais sem violação, o número ultrapassa largamente as dezenas de milhares de ocorrências. Destas, 4 231 envolveram imigrantes em situação irregular provenientes de fora da UE (fonte).
Cidades como Milão têm registado um aumento significativo da criminalidade, em grande parte associada a imigrantes, assim como Roma, onde bairros inteiros tornaram-se no go zones segundo o Il Giornale, habitados predominantemente por estrangeiros argelinos, marroquinos, tunisinos e egípcios (fonte). Segundo fontes policiais, quatro em cada cinco crimes em Milão seriam cometidos por egípcios em situação irregular (fonte). Durante a passagem de ano de 2025, a cidade registou casos de agressões sexuais a várias jovens cometidas por estrangeiros, num episódio comparável ao ocorrido em Colónia em 2016 (fonte). Na mesma noite, milhares de jovens muçulmanos, muitos em situação irregular, estiveram envolvidos em roubos e confrontos com a polícia, chegando mesmo a filmar-se a insultar o país, os cidadãos e os agentes (vejam um dos vídeos aqui). Em Milão, nove em cada dez presidiários da prisão juvenil são imigrantes menores “não acompanhados”, principalmente oriundos do Norte de África, nomeadamente da Tunísia, do Egipto e de Marrocos (fonte).
Poder-se-ia tomar como exemplo os Países Baixos e a Bélgica, considerados Estados em vias de se tornar narco-Estados devido à presença de máfias marroquinas, argelinas e nigerianas — com políticos, jornalistas, polícias e até membros da família real holandesa ameaçados por traficantes. Nos Países Baixos, enquanto a taxa de criminalidade entre os nativos holandeses é de 0,7%, esta sobe para 2% no caso de cidadãos turcos, 2,8% no caso de surinamenses, 3,8% para marroquinos e 4,4% para pessoas oriundas das Antilhas (fonte). A polícia holandesa admitiu, em Novembro de 2018, que um em cada cinco requerentes de asilo provenientes do Norte de África tinha cometido ou fora suspeito de cometer um crime nos 18 meses anteriores (fonte).
Em todos estes casos, a primeira conclusão é que os estrangeiros, sobretudo de origens não europeias, cometem proporcionalmente mais crimes do que os nacionais europeus. A palavra “proporcionalmente” é importante: significa que, em termos percentuais, se considerarmos uma amostra de 100 mil homens e mulheres estrangeiros e outra de 100 mil cidadãos europeus (independentemente do país), os estrangeiros tenderão a cometer mais crimes. Contudo, a maioria dos crimes continua a ser cometida por nacionais. Esta realidade mantém-se em França, no Reino Unido, na Suécia, na Alemanha e mesmo em Portugal.
Os estrangeiros são responsáveis pela maioria dos crimes? Não. Os nacionais continuam a representar a maior parte. Contudo, os estrangeiros, sobretudo os extra-europeus, contribuem para o aumento da criminalidade dita “violenta” em muitos países europeus. Existe, portanto, uma certa ligação entre o crescimento da imigração extra-europeia e o aumento da criminalidade violenta em alguns países, embora a maior parte dos criminosos continuam a ser nacionais. É, por conseguinte, injusto acusar os estrangeiros de serem responsáveis por todos os crimes, se analisarmos as estatísticas. A maioria dos estrangeiros provenientes de fora da Europa não comete crimes e veio procurar uma vida melhor, facto que não coloco em causa. Contudo, é igualmente errado e até perigoso ignorar a percentagem, proporcionalmente significativa, de estrangeiros que cometem delitos em várias nações europeias. Um tema desta envergadura deveria poder ser estudado com total transparência e desapaixonadamente – tal como procurei fazer neste artigo – sempre alicerçado em factos e estatísticas. Trata-se, acima de tudo, do bem-estar das nossas sociedades, e a transparência continua a fazer falta neste debate.
Afirmei que a maioria dos crimes continua a ser cometida por nacionais dos países europeus. Contudo, não seria de grande interesse conhecer a “origem” de todos os criminosos? Se analisarmos as segundas, terceiras e quartas gerações de imigrantes extra-europeus, cujos pais, avós e bisavós emigraram para a Europa nas décadas passadas, qual será a proporção dessas populações envolvida em crimes? Infelizmente, não é possível responder, pois este tipo de estatística não é considerado “útil” pelas chamadas elites políticas.
E o que dizem os especialistas? Para Thibault de Montbrial, separar a questão da imigração da segurança é simplesmente impossível: uma parte importante (de 30 a 60%) dos criminosos em determinados países da UE teria, segundo ele, origens fora do espaço europeu (fonte: France: le choc ou la chute, Éditions l’Observatoire, 2025). Mais do que os crimes em si, Montbrial alerta para um risco real de colapso ao nível da segurança em várias nações ocidentais, caso nada seja feito. A questão transcende a segurança física dos cidadãos europeus, pois existe também uma dimensão de insegurança cultural. A conjugação destas duas formas de insegurança pode conduzir a processos de fragmentação social, comparáveis ao que se observou no Líbano nos anos 70, aumentando, em última instância, o risco de conflitos civis internos.
Embora muitos prefiram não ver o elefante na sala, o facto é que, do outro lado do Atlântico, já se começa a prever o colapso da Europa. Um relatório do governo americano alerta que as políticas migratórias de vários países europeus poderão conduzir ao desaparecimento da civilização europeia. Naturalmente, os líderes europeus reagiram com espanto. No entanto, não haverá alguma verdade nas conclusões do relatório? O peso económico, o aumento da criminalidade associado a máfias étnicas transnacionais, o terrorismo islâmico e a insegurança cultural — esta última, tema que irei explorar num próximo artigo — não poderão, de facto, conduzir ao declínio da nossa civilização, da qual os americanos também fazem parte? Quem são, afinal, os responsáveis por esta situação? Não será, em parte, daqueles que nos governam? Não deveria ser função das chamadas elites ocidentais proteger as populações nativas dos países que dirigem? Infelizmente, a situação tende a agravar-se, tornando-se mais premente do que nunca encontrar soluções democráticas para enfrentar um problema que poderá revelar-se gravíssimo.
A ilusão mundialista defende que as fronteiras são não apenas limitadoras, mas também inúteis. No entanto, após décadas de sem-fronteirismo, o próprio princípio de separação não desapareceu; pelo contrário, volta a ganhar força. Como não ver que, numa Europa que se fixou como objectivo a eliminação de qualquer fronteira externa entre os Estados, se assiste, paradoxalmente, à criação exponencial de novas fronteiras — internas e mais insidiosas — que são tanto tangíveis como intangíveis? O comunitarismo, a multiplicação dos controlos de segurança à entrada de aeroportos, museus, centros comerciais e outros espaços públicos, os blocos de betão à entrada dos mercados de Natal, o muro em redor da Torre Eiffel — tudo isto são respostas desenfreadas à necessidade de protecção dos indivíduos em Estados que esqueceram que uma das suas funções soberanas era garantir a segurança dos seus cidadãos.
(Thibault Mercier Athéna à la borne. Discriminer ou disparaître ?, Pierre-Guillaume de Roux éditeur, 2019)