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Por muito que o que vou escrever desagrade aos leitores, parece-me que a verdade é esta: a população cubana está mais preocupada com a sua sobrevivência do que com a sua liberdade. Não há nada. Não há que comer, não há medicamentos, não há empregos, a eletricidade é intermitente e a pandemia é galopante. Daí que a frase mais repetida, e que se tornou símbolo destes protestos, seja “temos tanta fome que até comemos o medo”.

Mas convém fazer um pouco de história, e a que tenho hoje para oferecer é história oral, que ouvi dos mais diversos refugiados cubanos que partilharam comigo a cidade de Miami durante alguns anos. A amostra é absolutamente aleatória, portanto a legitimidade deste artigo é apenas a da etnografia não intencional. A única prova científica é que li e, principalmente, ouvi esta história vezes suficientes, de testemunhas que viveram aqueles tempos ou dos seus filhos e netos que as ouviram dezenas de vezes e me convenceram de que se trata de uma perspetiva fidedigna.

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