Na véspera de um novo ano, é costume em algumas culturas políticas celebrar a mudança e a inovação, contra o passado e a tradição. Essa oposição entre passado e futuro, tradição e inovação é um traço definidor de culturas políticas arcaicas e revolucionárias, em regra autoritárias e centralistas.

Infelizmente, esse mau hábito — a que Burke chamou “despotismo inovador” — está a chegar (ou a regressar) às democracias ocidentais. Há hoje demasiadas inovações desnecessárias entre nós.

Não me parece nada necessário, para dizer o mínimo, o inovador movimento dos “coletes amarelos” em França (felizmente fracassado entre nós). Mas também não me pareceu desde o início necessária a ideia inovadora do Presidente Macron de acelerar a integração supranacional da União Europeia. Talvez os “coletes amarelos” e a “integração supranacional” sejam duas faces de uma mesma moeda — mal acostumada às tradições de soberania pacífica de Parlamentos nacionais.

Também não me parece nada necessário o inovador estilo (ou ausência dele) do Presidente Trump —  que não sei, francamente, como definir em termos políticos. Conservador não é certamente e progressista também não parece ser. Basicamente, parece tratar-se de um estilo televisivo inovador. Mas parece-me muito reconfortante que, ao contrário da inovadora violência de rua dos “coletes amarelos” em França, os ancestrais e não inovadores “Checks and Balances” da Constituição americana estejam a funcionar em pleno e aos olhos de todos.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.