Futebol

A tradição voltou a ser o que era e o Belenenses homenageou Pavão no Porto

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Esta é uma história com décadas: quando o FC Porto joga no Restelo, homenageia Pepe; quando o Belenenses joga no Dragão (ou nas Antas), homenageia Pavão. Mas a tradição falhara na última temporada.

AFP/Getty Images

Há tradições tão antigas que viram a sua origem perdida no tempo mas, neste caso, é bem conhecida e uma das mais emblemáticas no futebol português: sempre que o FC Porto visita o Restelo, homenageia o ex-jogador do Belenenses Pepe; sempre que o Belenenses visita o Dragão, homenageia o ex-jogador do FC Porto Pavão.

Foi assim durante décadas a fio até que, na última temporada, o Belenenses falhou a tradição. Houve muita informação e contra-informação sobre os motivos para que tal acontecesses (o clube do Restelo comentou que seriam os dragões a ceder sempre a bandeira, algo que não aconteceu, ao passo que os responsáveis portistas argumentaram que eram eles que levavam sempre a coroa de flores para depositar junto da lápide de Pepe no Restelo), mas percebeu-se que tudo estava resumido a um esfriar de relações entre emblemas. Agora, com Rui Pedro Soares, líder da SAD do Belenenses, na Tribuna Presidencial junto a Pinto da Costa, os jogadores entraram com uma lona grande azul e branca com o rosto de Pavão, num gesto aplaudido de pé por todo o estádio.

Esta noite, os azuis do Restelo voltaram a cumprir a tradição. Uma tradição com 60 anos.

Tudo começou com aquele que é considerado como a primeira grande referência do futebol nacional: Pepe. Depois de ter feito a estreia com apenas 18 anos pelo Belenenses, chegou com naturalidade à Seleção Nacional e é ainda hoje o avançado que mais golos marcou num jogo oficial: dez, numa vitória frente ao Bom Sucesso a contar para o Campeonato de Lisboa. Aos 23 anos, acabou por falecer de forma trágica (ainda hoje as causas não são conhecidas ao certo), naquele que foi um dos episódios mais tristes e marcantes à data.

Em 1932, apenas um ano após a sua morte, o Belenenses inaugurou um mausoléu com o objetivo de perpetuar a memória da antiga glória, que acabaria por transferir-se para o Restelo aquando da inauguração do recinto, em 1956. E é desde aí que o FC Porto, por respeito à figura de Pepe e pelo que representou para o futebol português, deposita uma coroa de flores junto à lápide do ex-jogador quando se desloca a Belém.

A partir de 1974, o Belenenses passou a ter o mesmo gesto em homenagem a Pavão, ex-jogador portista.

Com apenas 26 anos, o médio foi um dos jogadores mais carismáticos e de personalidade vincada que o FC Porto teve nos seus quadros, que teve como Pepe um final trágico: durante um encontro com o V. Setúbal, ao minuto 13 da 13.ª jornada, Pavão caiu inanimado no relvado após uma paragem cardio-respiratória e, mesmo sendo transportado de urgência para o hospital, acabou por falecer, num episódio que deixou os dragões em choque.

Na temporada seguinte, o Belenenses iniciou a tradição de deixar flores junto do busto de Pavão na zona dos balneários e entrar com uma bandeira do FC Porto a assinalar esse momento negro na história dos portistas. Até ao ano passado, em que houve uma quebra nesse hábito que esta noite foi recuperado.

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