Pela primeira vez em 58 anos, a Cervejaria Ramiro vai receber intervenções artísticas na fachada. O número um da Avenida Almirante Reis, em Lisboa, vai ser a “tela” dos artistas Bordalo II, Glam, Hugo Lucas e Irina Solovya. A iniciativa está a cargo da Microarte Galeria e é inaugurada a 3 de junho.

São, aproximadamente, 170 metros quadrados, onde cada um dos artistas vai dar vida a um crustáceo. As criaturas do mar saltam, assim, do prato para as paredes da cervejaria. Estão previstas lagostas, lavagantes e sapateiras, figuras trabalhadas de formas diferentes. Bordalo II, por exemplo, vai desenhar uma turma liderada por uma sapateira que espalha o caos pelas mesas do restaurante e Irina Solovya quer criar a mulher lagosta.

Por enquanto, as pinturas em curso estão em lonas de exterior de oito metros, colocadas numa das paredes do antigo Hospital do Desterro, que atualmente funciona enquanto parque de estacionamento do restaurante.

Ana Dâmaso, diretora da Microarte Galeria, já trabalhou com a cervejaria em ocasiões anteriores. Conhece as pessoas da casa pelo que o convite foi espontâneo. Escolheu o espaço por considerar que é “a cervejaria mais emblemática de Lisboa” e por estar numa zona da cidade em revitalização, explica ao Observador. O critério de escolha dos artistas coube à diretora, que fez questão de ter dois elementos de ambos os sexos. “Nem sempre aparecem raparigas nestes circuitos de arte urbana”, argumenta. “O critério foi, sobretudo, o meu gosto”.

Os artistas em causa são jovens, ainda a dar os primeiros passos no universo da arte urbana. No entanto, coube a Irina Solovya, cidadã ucraniana a residir em Portugal, o derradeiro desafio. Sendo o seu trabalho mais virado para a pintura, foi-lhe feito o convite para sair do papel e dedicar-se às paredes. “Estou muito expetante para ver o trabalho dela”, comenta Ana Dâmaso.

A arte urbana, assegura a diretora da galeria, é uma tendência. Explica que o fenómeno ganhou maior dimensão quando se começou a dar valor a trabalhos de espírito clandestino. Já não são só as paredes de rua que servem de tela para estes artistas, que agora começam a ser procurados para expor em galerias. É o caso da Microarte, que tem vários projetos do género em carteira.

Desenho_fachada_Ramiro

 Desenho da fachada do edifício onde a Cervejaria Ramiro está instalada, em Lisboa.