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Depois da crise que afetou vários países da Europa, os gastos com a saúde começam a subir novamente, mas sem atingir os níveis anteriores, segundo o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgado nesta segunda-feira.

Depois de uma subida entre 2007 e 2008, o investimento em saúde caiu a pique até 2010. A recuperação que se verificou em 2011 e 2012 ainda fica muito aquém da taxa de crescimento anterior a 2009. Embora a tendência desde 2005 fosse de um crescimento no setor público maior do que no setor privado, a tendência inverteu-se em 2011, sendo agora a taxa de crescimento maior no privado.

Apesar de os gastos com saúde estarem a aumentar, em geral, na Europa, registam quedas em países como Grécia, Itália, Portugal, Espanha, República Checa e Hungria. Fora da Europa, destacam-se os cenários de crescimento com a despesa no Chile e México, em 2012, devido aos esforços de universalização do acesso aos cuidados de saúde, e na Coreia, desde 2009, com investimento sobretudo no setor privado.

Uma nota é feita em relação à diminuição da despesa desde 2009: deu-se uma diminuição dos gastos em farmácia devido à diminuição da generalidade dos preços, mediante acordos com a indústria farmacêutica e a introdução de medicamentos genéricos, substituindo medicamentos muito dispendiosos. A venda de medicamentos genéricos aumentou 20% entre 2008 e 2012. Só em Espanha aumentou 100%.

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Gastos com saúde em Portugal

Portugal conseguiu, em 2012, estar acima da média da OCDE (9,3%) em relação à percentagem de produto interno bruto (PIB) gasto em saúde – 10,2% -, o décimo primeiro lugar num ranking liderado pelos Estados Unidos, com 16,9%. Contudo, enquanto em Portugal, nesse ano, 65% da despesa com saúde foi financiada com fundos públicos, na OCDE a média foi de 72%.

Embora os gastos com a saúde tenham diminuído em 2011 e 2012 e os gastos em farmácia também, pelos motivos já apontados, Portugal continua com uma esperança média de vida à nascença (80,5 anos) superior à média da OCDE (80,2 anos). Porém, a OCDE nota o facto de as mulheres viverem em média mais seis anos do que os homens em Portugal.

Uma nota ao relatório, específica para Portugal, chama a atenção para a taxa de tabagismo – 18,6% na última avaliação em 2006 – e para o aumento da percentagem de obesos entre 1999 e 2006 – de 12,8% para 15,4%, pela possibilidade de agravamento de problemas de saúde que se refletem no aumento da despesa com a saúde. Num ponto positivo, a mortalidade devido a cancro ou doenças cardiovasculares em Portugal é inferior à média da OCDE.