A garantia  de 5,7 mil milhões de dólares que o Estado angolano prestou ao Banco Espírito Santo Angola (BESA), em dezembro de 2013, não vai comprometer o risco de crédito do país, avançou a agência de rating Ficth esta terça-feira. Contudo, a agência adianta que este financiamento pode desgastar as “almofadas de liquidez” e aumentar as preocupações relacionadas com a gestão, sobretudo com a do setor bancário.

“Compreendemos que esta garantia se estende a todos os credores do BESA e acreditamos que foi dada para restaurar a confiança no banco, que tem vindo a lutar contra problemas de liquidez. Outro factor possível é o Estado querer prevenir o contágio [destes problemas] ao resto do setor”, diz a Fitch. A garantia é uma espécie de linha de crédito que pode ser renegociada passado um ano, explica a Fitch. Se não for possível ativar outras opções, como a venda, reestruturação do banco ou uma injeção de liquidez do banco central, a garantia pode ser acionada.

Os analistas da Fitch dizem existir liquidez pública suficiente para assegurar que a garantia é honrada, caso seja necessário. Os depósitos do Estado, que valem cerca de 15 mil milhões de dólares e representam 12% do PIB, podem ser retirados [pelos depositantes] sem aumentar a dívida pública, referem. Segundo os analistas da agência, os problemas do BESA não são sistémicos e existem novos desafios no setor bancário angolano, com o crédito mal parado a atingir 10,2% em outubro de 2013, quando em 2011 era de 2,5%.

A “fraca gestão” continua a ser “um grande impedimento” para que Angola consiga superar os desafios de desenvolvimento que enfrenta e para que a agência possa subir o rating atual, dizem os analistas da Fitch. O rating atribuído atualmente pela agência a Angola é de BB-.