Os participantes da 20ª Conferência Internacional sobre Sida, a decorrer de 20 a 25 de julho, em Melbourne na Austrália, expressaram a sua indignação em relação a países com leis que estigmatizam a homossexualidade, acusando essas nações de promover a disseminação do VIH (vírus da imunodeficiência humana).

Os cerca de 12 mil participantes na conferência de Melbourne são convidados a assinar uma declaração que salienta que os homossexuais e transgénero “devem ter os mesmos direitos e igualdade de acesso à prevenção, assistência, informação e serviços para a sida”. Enquanto os direitos dos homossexuais têm aumentado nos países ocidentais, noutros estados, como em alguns africanos e na Rússia, tem-se reforçado a legislação contra a homossexualidade.

Especialistas presentes na conferência internacional avisam que se os homossexuais ou bissexuais são ameaçados com prisão ou perseguição, evitarão fazer o teste da sida ou procurar tratamento caso já estejam infetados: “esta atmosfera tóxica de silêncio e medo é um perfeito terreno fértil para a propagação do VIH”. Segundo um relatório da ONUSIDA, das Nações Unidas, divulgado na semana passada, 79 países têm leis que criminalizam as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo e sete deles preveem a pena de morte.

Na sua mensagem de abertura do evento, o diretor executivo do ONUSIDA, Michel Sidibé, afirmou: “acabar com Sida é o único sonho que todos devemos ter”.

A Prémio Nobel da Medicina e coautora da descoberta do VIH, Françoise Barré-Sinoussi chamou a atenção para uma realidade cruel em todo o mundo: “o estigma e a discriminação continuam a ser as principais barreiras para o acesso efetivo aos cuidados”. Este assunto divide de forma acentuada os países ricos, contra a discriminação dos homossexuais, dos estados mais pobres, que têm adotado legislação homofóbica.

“Precisamos de gritar bem alto que não vamos ficar parados quando os governos, violando os princípios dos direitos humanos, estabelecem leis monstruosas que apenas marginalizam as populações já vulneráveis”, declarou, citada pela agência France Presse.