Criticou governos, a Troika e os portugueses. Indignou-se com a austeridade, queixou-se de ver a declaração de rendimentos publicada e não poupou o próprio Banco Espírito Santo.

Ricardo Salgado nunca se inibiu de dizer o que pensa.

“Há pessoas que querem trabalhar e pessoas que fazem greve e prejudicam a economia do país”, disse ao Diário Económico em 2013. 

Antes já tinha afirmado que “os portugueses não querem trabalhar e preferem estar no subsídio de desemprego, há imigrantes que trabalham, alegremente, na agricultura e esse é um factor positivo.”

Nesta quinta-feira, o DCIAP foi bater à porta de Ricardo Salgado, detendo-o para interrogatório sobre o caso Monte Branco. Na última entrevista pública que deu, ao Jornal de Negócios, em Maio, Ricardo Salgado afirmou:  “Eu não tenho nenhum processo. (…) Não tenho nenhuma investigação. Nenhuma. Fico banzo.”

Na mesma entrevista, que coincidiu com as primeiras notícias sobre o estado financeiro do Grupo Espírito Santo (GES), o então presidente executivo do BES foi contido e desculpou-se: “Todos nós cometemos erros e eu assumo que o grupo cometeu erros, mas erros provocados pela nossa estrutura e organização no topo, à qual deveríamos ter prestado mais atenção.”

Por causa de erros, precisamente, Ricardo Salgado não poupou a Troika, “é notável a descoordenação existente dentro da Troika. E surpreendente.”, ou os governos de Portugal, “O Estado a gerir bancos é um desastre.”

Também desagradado ficou ao ver alguma comunicação social publicar quanto ganha: “É extraordinário ver a minha declaração de rendimentos nos jornais.” 

O estado do país, as políticas impostas, também mereceram comentários públicos do agora ex-presidente executivo do BES: “A austeridade é violenta e está a chegar ao limite”; “Nunca vi uma crise tão profunda, tão grande, tão destruidora de empregos e de riqueza. (…) Não há absolutamente nada garantido.”

Certeza tem o banqueiro de uma coisa: “Tudo tem o seu preço, excepto a honra”.