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Marina Silva, ex-senadora e antiga ministra do Ambiente no Governo de Lula da Silva, vai ser a candidata da coligação “Unidos pelo Brasil”, depois de o número um do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, ter morrido num acidente de avião na quarta-feira.

A notícia é divulgada este sábado pela Folha de São Paulo, que dá conta do acordo alcançado dentro do PSB, que terá ultrapassado as divergências internas e se unido em torno do nome de Marina. A Folha escreve ainda que Marina Silva aceitou concorrer depois de ter recebido o apoio da família de Eduardo Campos, nomeadamente da mulher, Renata Campos.

Esta é a segunda vez que Marina Silva avança como candidata a presidente do Brasil, depois de em 2010 ter desafiado Dilma Rousseff e alcançado 19 milhões de votos. A mais conhecida ambientalista brasileira, originária de uma família pobre com 11 filhos, mantém até hoje a sua popularidade, apesar de não ter conseguido transformar o seu movimento político – Rede Sustentabilidade – num partido.

Em abril de 2014 foi anunciado que Marina Silva seria a candidata a vice-presidente na coligação liderada por Eduardo Campos, apesar de as sondagens darem vantagem à ambientalista. Na altura, a notícia gerou alguma surpresa. O Partido Socialista Brasileiro situa-se ao centro do sistema político, defendendo cortes na despesa pública. Marina Silva, por outro lado, fez carreira nos sindicatos.

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O nome de Marina Silva nos boletins de voto pode forçar uma segunda-volta,  ao roubar votos ao PT de Dilma e ao PSDB de Aécio Neves, escreve a Reuters. Em abril, uma sondagem do instituto Datafolha dava a Marina 27% dos votos, o que a deixaria em segundo lugar, atrás de Dilma, com 39% e à frente de Aécio Neves, com 16%.

Apesar disto, Silva não deixou de dividir o Partido Socialista na hora da escolha do seu novo número um. Como escreve a Folha, o último entrave à nomeação de Silva foi precisamente o presidente Roberto Amaral, cuja preferência pessoal não recaía sobre Marina. Mas Silva já garantiu ao PSB que irá respeitar as duas principais bandeiras do partido – as alianças políticas feitas com o PT no Rio de Janeiro e com o PSDB em São Paulo e o discurso desenvolvimentista de Campos.

O anúncio de que Marina Silva será a candidata da coligação deverá ser oficializado na quarta-feira, dia 20, três dias antes do prazo legal para encerrar as mudanças nas candidaturas. Falta ainda anunciar quem vai disputar a vice-presidência. A Folha revela que Beto Albuquerque é o nome mais provável.