Vasalgel. Já ouviu falar? Pois bem, o futuro está aí a bater à porta e o controlo de natalidade deixará de ser única e exclusiva responsabilidade das senhoras. Este produto que promete prevenir gravidezes indesejáveis é não hormonal e foi testado com sucesso em macacos, conta a News.Mic. “Se tudo correr bem, estamos a planear fazer testes com humanos no início do próximo ano”, pode ler-se num comunicado deste produto contracetivo para os homens.

O Vasalgel, um produto desenvolvido pela Fundação Parsemus, produz um efeito semelhante a uma vasectomia, mas tem um trunfo importante: é reversível. Ao aplicar-se este hidrogel de polímero, o canal deferente, aquele que conduz os espermatozóides a partir do epidídimo, será bloqueado — no caso da vasectomia o canal deferente é cortado. De acordo com o responsável pelo produto, assim que se queira voltar a estar apto a ter filhos, é dada uma segunda injeção para retirar o gel que bloqueava o tal canal.

Há seis meses, três babuínos machos receberam Vasalgel e foram colocados separadamente num ambiente de clausura juntamente com 10-15 fêmeas. A paisagem era convidativa e os babuínos não se fizeram rogados: as habituais relações aconteceram, mas não houve registo de qualquer gravidez. Ainda assim, os investigadores vão deixá-los na mesma área durante mais algumas semanas para não restarem dúvidas.

A Fundação Parsemus informou que os testes a larga escala com humanos estão agendados para 2015-2016 e que, se tudo correr como preveem, o produto estará à venda em 2017. Relativamente ao preço, a resposta foi mais enigmática: “É provável que o custo da visita do médico seja maior do que o produto.”

O outro lado da moeda também é abordado no artigo. Elaine Tyler May, a autora de “America and the Pill: A History of Promise, Peril and Liberation”, em declarações à Gizmodo, revelou algumas razões que podem explicar o porquê de ainda não existir um produto semelhante à pílula para os homens. Um eventual efeito secundário é, segundo May, a impotência, o que não vai seduzir nenhum homem, certamente. Depois, um obstáculo fisiológico: os homens produzem mil espermatozoides por segundo, enquanto as mulheres produzem um óvulo por mês.

A terceira razão prende-se com o mercado e as empresas farmacêuticas. O que será mais lucrativo: prestar um serviço mensal às mulheres ou um em que apenas é necessária uma dose aos homens? É que a pílula utilizada pelas mulheres é um processo contínuo e duradouro, enquanto o Vasalgel seria injetado uma vez e pronto. Ou duas, se quiser voltar a estar apto a ter filhos, claro. A Daily Beast coloca as coisas neste ponto: “Porquê vender um plasma (TV) a um homem, afinal, quando pode alugar um a uma mulher durante uma década?”

O artigo termina de uma forma interessante, que nos leva a um outro patamar: o cultural. O autor chega a escrever que o corpo da mulher, nesta realidade da responsabilidade contracetiva, tem sido sempre tratado como um “campo de batalha sociocultural”, com todas questões e efeitos secundários inerentes. Como será quando forem os corpos dos homens em questão? Talvez em 2017 saibamos…

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