O Santander Totta criticou nesta quarta-feira o lançamento por parte do Novo Banco de um depósito que paga “juros fora do mercado”. António Vieira Monteiro, presidente do Santander Totta, considera esta uma “campanha extraordinária”, assumindo que “preocupa-me, enquanto sócio do Fundo de Resolução”, que injetou 4.900 milhões de euros no Novo Banco.

António Vieira Monteiro aproveitou a conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano para lançar algumas farpas a uma “campanha extraordinária” que o Novo Banco está a fazer com o lançamento de um depósito a prazo a 92 dias que paga uma Taxa Anual Nominal Bruta de 1,75%, com juros pagos à cabeça. Para montantes superiores a 15 mil euros, a taxa pode chegar aos 2,5%. “São taxas fora do mercado”, acusa o presidente do Santander Totta.

“Enquanto sócio do Fundo de Resolução, preocupa-me”, afirmou António Vieira Monteiro, atribuindo a decisão do Novo Banco a uma “necessidade que eles devem ter de aumentar os depósitos”.

“Temos uma boa operação em Portugal”

O presidente executivo do Santander Totta reiterou, também, que “como grande banco que somos, não devemos deixar de olhar para o que se passa no mercado”. Esta voltou a ser a resposta de António Vieira Monteiro às questões dos jornalistas sobre o eventual interesse na compra do Novo Banco. No entanto, o responsável acrescentou que “estamos muito contentes com a operação em Portugal” e com o crescimento que o banco está a conseguir no plano orgânico, isto é, sem aquisições.

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“Se vier a avançar”, afirmou António Vieira Monteiro, será só depois de uma análise cuidada da informação disponível sobre o ativo. O presidente do Santander Totta assinala que “falta conhecer o balanço de abertura, falta a auditoria…”. Só depois de uma “análise positiva, incluindo das questões jurídicas, é que poderemos avançar”, admite António Vieira Monteiro.

De resto, o presidente do Santander Totta concorda com quem defende que a venda do Novo Banco deve ocorrer rapidamente. “Para mim, quanto mais depressa melhor”, atirou António Vieira, garantindo não ter medo da concorrência de outros potenciais interessados, entre os quais o BPI.