O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que os preços do petróleo voltem a subir com o tempo, mas apenas de forma gradual e não que voltem os preços que estavam a ser praticados nos mercados antes da queda a pique. A redução dos preços do petróleo veio dar um empurrão à economia mundial, mas não chegou e o FMI está mais pessimista com a economia mundial.

Por isso, o FMI espera que a economia mundial cresça menos este ano e no próximo mesmo com esta ajuda da queda no preço do petróleo, que só chega a alguns blocos, como é o caso da zona euro e dos Estados Unidos. As fracas perspetivas de crescimento económico estão a impedir um crescimento no nível de investimento contínua fraco.

O FMI atualizou as suas previsões económicas para a economia mundial este ano e em 2016 e os resultados não são famosos: a economia mundial deve crescer menos 0,3 pontos percentuais em cada um dos anos, para 3,5% e 3,7% do PIB, em 2015 e 2016, respetivamente.

O pessimismo do Fundo face ao que esperava ainda em outubro passado só é contrariado pelos Estados Unidos, cuja economia o FMI espera que cresça mais 0,5% do PIB já este ano e mais 0,3% do PIB no próximo ano. Entre as principais economias, só mesmo o caso dos Estados Unidos é que se espera que seja uma surpresa positiva.

Na economia norte-americana, a procura interna deve a crescer com o apoio dos baixos preços do petróleo e do nível muito moderado dos esforços da administração norte-americana para reduzir o défice e a dívida pública, juntamente com uma política monetária que continua bastante flexível, apesar de a Reserva Federal já ter anunciado que fará subir as taxas de juro de forma gradual. Um fator de risco para os EUA é a valorização do dólar, que pode acabar por reduzir as exportações líquidas do país.

No entanto, com exceção dos Estados Unidos, o FMI já não é muito otimista no que diz respeito aos restantes grandes blocos e isso impede que a queda do preço do petróleo faça com as previsões sejam revistas em alta.

A zona euro aparece à cabeça com uma revisão, ainda que mais ligeira, em baixa do crescimento esperado nestes dois anos. Das quatro maiores economias, só a Espanha tem resultados mais positivos, enquanto a Itália sofre a maior revisão em baixa. O FMI espera que Alemanha e França também cresçam face ao que esperava em outubro. Ainda assim, a zona euro deve crescer. Contudo, o FMI alerta para o risco de estagnação e de inflação muito baixa na região.

A economia chinesa deverá crescer menos 0,3% do PIB este ano e menos 0,5% do PIB em 2015 e, ainda que mantenha taxas de crescimento superiores a 6% por ano, as autoridades chinesas estão mais preocupadas nesta altura em reduzir algumas vulnerabilidades que surgiram com o crescimento demasiado rápido do crédito e do investimento. O abrandamento da economia chinesa acaba por ter consequências na região e, com exceção da Índia, muitas das economias emergentes asiáticas viram as suas previsões de crescimento revistas em baixa por isso mesmo.

O Japão continua com problemas, depois de a sua economia entrar em recessão no terceiro trimestre de 2014, apesar dos estímulos postos em prática pelo governo japonês. O aumento do IVA no final do ano passado não ajudou, impedindo melhorias no consumo privado.

Quem sofre a maior revisão é a Rússia. O conflito na Ucrânia e as consequências para a Rússia, em especial as sanções, estão a prejudicar a economia russa, que se viu abraços com uma crise na sua moeda e se vê agora em maiores dificuldades devido à forte e contínua queda no petróleo e no gás, os produtos que a Rússia mais exporta. O FMI esperava em outubro que a economia russa crescesse 0,5% este ano, mas agora espera uma recessão de 3%. Para 2016, o cenário não é muito diferente, já que o FMI esperava um crescimento de 1,5% do PIB e agora espera uma recessão de 1%.