Rádio Observador

Restaurantes

Prefere um pequeno-almoço de hotel ou um jantar caseiro?

292

No Mezzanine, em Santos, não precisa de escolher. Neste projeto familiar, de mãe, filha e genro, servem-se as duas refeições, cada uma à sua maneira. Há 5 regras que deve seguir para sair feliz de lá.

Autor
  • Tiago Pais

Desde outubro do ano passado que Helena Ramos já tomava conta dos pequenos-almoços deste Mezzanine Creative Restaurant, pertencente à vizinha Casa de Santos, no bairro homónimo de Lisboa. Mas o que começou por ser uma necessidade de trabalho premente, depressa se transformou num acaso perfeito: é que Helena andava à procura de um espaço exatamente como o Mezzanine para abrir o seu próprio restaurante. Lançou a escada aos patrões, estes agarraram-na, subiram-na e, de repente, transformaram-se em seus sócios. Não admira, por isso, que a anfitriã da casa seja, por estes dias, uma pessoa feliz. Cansada — acumula agora os pequenos-almoços com jantares — mas feliz. E não será difícil a um qualquer cliente deixar-se contagiar por essa mesma felicidade: basta seguir este roteiro de cinco etapas para a visita perfeita.

1. Deixe-se ser bem recebido/a.
O Mezzanine é um restaurante familiar: Helena, a responsável máxima, faz de tudo um pouco: cozinha, recebe, serve, gere, conversa, encaminha e aconselha, não necessariamente por esta ordem. Sofia, a filha, está mais dedicada à sala, também serve, quando é preciso, também cozinha, principalmente sobremesas, e, como estudante de design que foi, trata de toda a imagem da marca. Já Jorge, o genro, é o criativo executante da cozinha, braço-direito de Helena no que toca a tratar de tachos. Como bons conversadores que são, gostam de falar com os clientes — sem ser invasivos, atenção — e os clientes têm tudo para gostar de falar com eles. Por isso, nada de timidez, é importante entrar no espírito.

restaurante mezzanine,

Helena, Sofia e Jorge, a família que recebe os clientes / Hugo Amaral ©

2. Experimente os pequenos-almoços.
Tudo começou pela refeição mais importante do dia. Helena estava a precisar de trabalho e os responsáveis da guest house Casa de Santos precisavam de alguém de confiança que lhes assegurasse os pequenos-almoços para os hóspedes no espaço contíguo que lhes pertencia, o Mezzanine. A união de necessidades correu tão bem que uma das condições para Helena poder assumir o projeto do restaurante foi que continuasse a assumir essa parte do negócio. E assim foi, com uma diferença fulcral: agora o pequeno-almoço não está aberto apenas a hóspedes. Por 6€, está disponível a qualquer cliente, todos os dias entre as 08h00 e as 10h30, em formato buffet, com pão cozido no local, bolos e quiches caseiras, fruta e sumos naturais. Soa bem, não soa?

3. Ao jantar, explore a carta de petiscos (mas deixe espaço para a sobremesa).
O jovem de jaleca na fotografia, Jorge, conheceu Sofia neste mesmo espaço, que, há alguns anos ainda era um bar. Uma grande coincidência que o fez estar hoje na cozinha do Mezzanine a dar largas à criatividade, muito elogiada pela timoneira Helena. As qualidades de Jorge traduzem-se, por exemplo, numa bifana especial (7€), que desconstrói todos os elementos habituais no dito snack, ou nos ninhos (7€) de presunto com alheira e ovo, cuja fotografia ilustra, lá em cima, a peça. A ementa não se fica, contudo, pelos petiscos: além de um prato do dia, há saladas, tibornas e tábuas de queijos e enchidos. E há mais: tal como numa cozinha de casa, muitas vezes Helena e Jorge acabam por improvisar algo com o que têm no frigorífico e na despensa para clientes com pedidos/desejos específicos. Convém, no entanto, acautelar o estômago para a sobremesa. A escolha não é vasta — há apenas uma por dia — mas a doceira tem mérito e experiência acumulada: quando estava no Algarve, Helena chegou a fornecer bolos e sobremesas para 18 restaurantes e pastelarias da região de Portimão. Por isso é de confiar.

restaurante mezzanine,

Uma bifana cheia de graça, com os elementos devidamente separados / Hugo Amaral ©

4. Descubra os recantos do espaço.
Além da simpatia de quem recebe e do respetivo alento que têm para a cozinha, o espaço que acolhe o Mezzanine merece ser descoberto e devidamente apreciado. Não só a parte mais alta, a tal mezzanine que lhe dá o nome, mas também o andar de baixo, onde há sofás e mesas baixas (pode fumar-se nessa zona), candeeiros grandes, relógios e e um sem número de pormenores decorativos muito interessantes. Na parte de cima, há mais espaço para as refeições, principalmente de grupos, que a partir das 25 pessoas têm exclusividade da sala, com menus que variam entre os 18 e os 25€ por pessoa.

restaurante mezzanine,

A decoração está cheia de pormenores interessantes. E de relógios, muitos relógios / Hugo Amaral ©

5. Deixe uma mensagem na Moleskine das opiniões criativas.
Foi uma ideia de Sofia que tem resultado em mensagens bonitas dos primeiros clientes: a conta final surge dentro de uma agenda Moleskine que serve para os clientes deixarem mensagens com a sua opinião sobre o espaço e a refeição. Até agora, têm sido todas positivas, algumas mesmo surpreendentes, principalmente de turistas que ficam abismados com a relação qualidade-preço. Também há quem jure que vai voltar e quem diga que descobriu um novo restaurante favorito. Para um projeto que arrancou há pouco mais de duas semanas só pode ser bom augúrio.

Nome: Mezzanine Creative Restaurant
Morada: Rua da Boavista, 106 (Cais do Sodré), Lisboa.
Telefone: 91 720 9780
Horário: De domingo a quarta (excepto terça, que encerra) das 18h30 à 00h00. De quinta a sábado das 19h00 às 02h00. Os pequenos-almoços funcionam todos os dias entre as 08h00 e as 10h30.
Preço Médio: 18€
Reservas: Aceitam

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)