Os ataques contra imigrantes continuaram nesta terça-feira na cidade sul-africana de Durban, sobretudo contra moçambicanos, enquanto a comunidade etíope se preparava para repatriar os cadáveres de três nacionais mortos nas últimas duas semanas.

Esta vaga de violência começou poucos dias depois de o rei zulu, Goodwill Zwelithini, a mais alta autoridade tradicional de Kwazulu-Natal, uma província a leste de Durban, ter, há cerca de um mês, desafiado os estrangeiros “a fazerem as malas e irem embora” do país — um apelo apoiado por Edward Zuma, filho do Presidente sul-africano, que disse à agência de notícias local, News24, que a África do Sul estava “em cima de uma bomba-relógio de eles (estrangeiros) tomarem conta do país”.

Até agora, cerca de 50 pessoas foram detidas durante os distúrbios em que pelo menos quatro pessoas morreram. A polícia não confirmou as nacionalidades das vítimas, mas segundo as autoridades de Moçambique na África do Sul, dois moçambicanos foram mortos na sexta-feira em ataques xenófobos num bairro de Durban.

A mesma fonte indicou ainda que, dos 500 cidadãos estrangeiros que perderam os seus bens devido à violência xenófoba e se encontram refugiados em centros de acolhimento temporário em Durban, cerca de 270 são moçambicanos. Nesses centros se encontram também alojados, sob guarda policial, perto de 1.000 estrangeiros que fugiram de casa.

O ambiente ainda se encontrava hoje tenso no centro da cidade portuária, onde a imprensa local noticiou que se registavam confrontos entre cerca de 2.000 imigrantes armados e a polícia e que prosseguiam os saques nos bairros dos subúrbios. Além de moçambicanos, a violência contra estrangeiros tem visado cidadãos da República do Congo, da Somália, do Bangladesh e da Etiópia.

Estes ataques a habitações e estabelecimentos comerciais propriedade de imigrantes nos bairros pobres de Durban iniciaram-se três meses depois de uma onda de violência similar contra imóveis de estrangeiros no Soweto, perto de Joanesburgo. A violência contra imigrantes africanos na África do Sul é comum, com os pobres nacionais a acusarem os estrangeiros de lhes roubarem os empregos e os negócios.