O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou esta sexta-feira que a criação de um Fundo Monetário Europeu seria “importante” para que exista uma “separação clara” entre aquilo que é política monetária e aquilo que corresponde a assistência financeira ou económica. Segundo Passos Coelho, o Fundo Europeu iria absorver as funções de resgate que neste momento o Banco Central Europeu (BCE) detém. Isto deixaria apenas as operações de política monetária mas mãos do BCE, funcionando como contraparte do Banco Central Europeu na zona euro.

O primeiro-ministro Passos Coelho reuniu-se esta sexta-feira em Florença, com Matteo Renzi, o chefe do Governo italiano. Na reunião foi sobretudo discutida a União Europeia e também a relação entre Portugal e Itália, mas também esta criação de um Fundo Monetário Europeu, a crise na Europa e os naufrágios trágicos que ocorreram no Mediterrâneo.

Relativamente à criação do Fundo Monetário Europeu, Passos Coelho afirmou que é necessário esclarecer que em situações de resgate não “existe uma transferência de rendimentos de uns países para outros e de cidadãos de uns países para cidadãos de outros”. Porque, segundo o Passos, isso cria tensões mesmo entre os próprios países. O Fundo teria como objetivo “tirar os países da gestão dessas crises” e entregar a responsabilidade a instituições que estariam “obviamente” asseguradas “em termos democráticos”.

“Nós temos hoje dentro do espaço europeu uma experiência já significativa a lidar com crises financeiras. Na altura em que a Grécia e depois outros países precisaram de assistência financeira, a Europa entendeu que deveria solicitar a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI)”, afirmou o primeiro-ministro.

Contudo, o líder do Governo português entende que já existe hoje na Europa o “expertise” que o FMI passou às instituições europeias, nomeadamente, o mecanismo de estabilidade europeu. Desta forma acredita que a Europa já consegue “lidar com estas situações” sem o auxilio do FMI.

O Fundo Monetário Europeu iria exatamente absorver esse mecanismo de estabilidade, o que poderia ajudar a aumentar a confiança nas instituições europeias. Por outro lado, o Fundo iria “dispensar o BCE” em questões de apoio financeiro e económico.

Passos Coelho também referiu que “a Europa sobreviveu a uma crise muito grande” e que agora “a nossa agenda, quer europeia quer nacional, precisa de estar muito focada na recuperação económica e nos fatores que geram competitividade”.

Relativamente à questão da tragédia dos naufrágios no Mediterrâneo, o primeiro-ministro afirmou que é necessário reforçar a segurança e a ajuda humanitária para evitar tragédias daquela dimensão. Desde o início do ano, já morreram mais de 1.600 pessoas no Mar Mediterrâneo. Passos Coelho referiu também que já a partir da próxima semana, Portugal irá disponibilizar novos meios para ajudar as operações de resgate.