A cimeira de líderes europeus que terminou, ao cabo de 17 horas, com um acordo unânime para um terceiro resgate à Grécia, foi (mais) um teste à resistência física dos responsáveis. Em boa parte do tempo, Alexis Tsipras esteve a sós com Angela Merkel, François Hollande e Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu. Os outros chefes do governo entretiveram-se com videojogos e refeições ligeiras. E, claro, com sestas curtas.

A Reuters conta que os chefes de governo dos vários países (exceto a Grécia, Alemanha e França) e os seus procuraram desanuviar da tensão inerente a esta cimeira decisiva com jogos de computador e refeições ligeiras acompanhadas por café. Muito café.

Enquanto isso, Tsipras, Merkel, Hollande e Tusk estavam a afinar os últimos aspetos associados a este acordo de princípio. O consenso “unânime” a que se chegou permite, agora, algum descanso para os chefes do governo, mas menos para os ministros das Finanças, que irão reunir-se já depois da hora de almoço em Bruxelas para dar sequência aos trabalhos.

Também esses responsáveis, os ministros das Finanças, tiveram um domingo que foi tudo menos de descanso. Euclid Tsakalotos participou numa reunião, com outros ministros como o alemão Wolfgang Schäuble e o francês Michel Sapin, que foi descrita como um encontro “duro, até mesmo violento“. “Parecia um jardim-escola”, disse uma fonte à Reuters, acrescentando que Schäuble chegou a dizer a Mario Draghi – presidente do BCE, que também esteve presente: “Eu não sou estúpido!“.

Falava-se sobre um eventual alívio da dívida pública grega e sobre a inclusão, desejada por Schäuble, de uma cláusula que admitia uma saída “temporária” da zona euro por parte da Grécia, caso o país não aceitasse fazer as reformas exigidas pelo Eurogrupo.

Enquanto os outros líderes europeus se confrontavam, Tsakalotos (que substituiu Varoufakis nas Finanças gregas) manteve-se calmo e chegaram a dizer-lhe: “Não te preocupes, Euclid, o problema já não é teu – é entre eles“.