A rua está em obras, mas a casa onde Sócrates está atualmente em prisão domiciliária foi remodelada muito antes da chegada do ex-primeiro-ministro. Em abril, noticiava o Correio da Manhã, a ex-mulher de José Sócrates terá gasto 850 mil euros para reabilitar e comprar a moradia, para onde se mudou agora, também, o ex-líder do PS.

Casa de Sofia Fava antes da reabilitação

No Bing Maps é possível ver a moradia antes da remodelação

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O Google Maps, mostra a casa já reabilitada.

A casa fica nas traseiras do número 33 da Rua Abade Faria, em Lisboa. José Sócrates fica, assim, isolado, e apenas ao alcance dos olhares dos vizinhos mais curiosos.

A casa de Sofia Fava, ex-companheira e mãe dos dois filhos de Sócrates, terá cinco assoalhadas, uma piscina coberta aquecida, e todos os confortos de que terá ficado privado o ex-primeiro-ministro por força da reclusão.

O imóvel terá sido comprado em 2008 e, diz o CM, teria três hipotecas a favor da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no valor de 800 mil euros. Essas hipotecas terão sido canceladas em março de 2014, numa altura em que o Ministério Público (MP) já estaria a investigar José Sócrates e Carlos Santos Silva.

Nessa notícia de abril, o CM revela ainda que a casa foi adquirida por Sofia Fava e Paulo Marques da Silva, seu companheiro na altura da assinatura da promessa de compra e venda (documento a que o CM teve acesso), a 3 de maio de 2008.

As obras da moradia foram feitas pela Gigabeira, empresa de construção civil na qual Carlos Santos Silva era administrador, de acordo com o despacho do juiz de instrução. Mas a história estava longe de terminar e os negócios entre a ex-mulher de Sócrates e o seu amigo de infância, Carlos Santos Silva, não se reduzirão a este acordo.

É que, em 2011, Sofia Fava vendeu um apartamento na Rua Francisco Stromp, em Lisboa, por 400 mil euros à empresa de Santos Silva: “valor muito superior ao valor real de mercado do imóvel”, dizia o despacho do juiz Carlos Alexandre.

Esse documento dirá ainda que “tal preço em excesso se destinou a compensar obras contratadas à Gigabeira, a realizar pretensamente num outro imóvel de Sofia Fava, sito na Rua Abade Faria, em Lisboa, obras essas com um preço declarado de 300 mil euros, pelo que o pagamento efetivamente realizado se limitou à quantia de 100 mil euros.”

Mais tarde, chega outro pormenor interessante: Em 2011 a Gigabeira já apresentava um prejuízo de 200 mil euros. Um ano e meio depois, revelava o Sexta às 9, a empresa terá posto a casa à venda por 350 mil euros, mas o interessado no imóvel baixou o valor em 90 mil euros. A Gigabeira de Santos Silva acabou consentir a venda por 260 mil euros.

No entanto, nem tudo correu sobre rodas para a empresa de construção civil, que pouco tempo depois entra mesmo em insolvência. No final, o novo comprador conseguiu ficar com a casa por apenas 50 mil euros, o valor do sinal.

À data, confrontada com a investigação do programa da RTP Sexta às 9, Sofia Fava explicava:

Porque o valor das obras realizadas no prédio era de montante muito superior ao previsto, como medida de gestão urgente decidi dar por conta do pagamento do valor dessas obras, o meu bem imóvel situado na rua Francisco Stromp, que, segundo fui informada, interessava à empresa de construção civil que me tinha executado as obras, para alojar os seus trabalhadores. Foi-me, na altura, solicitada, pela empresa interessada, uma procuração irrevogável, que emiti, mas que foi usada apenas um ano depois pelo beneficiário, o qual, em meu nome, vendeu o bem imóvel a quem entendeu e sem o meu controle direto ou indireto”.

Monte Alentejano

No entanto, dois meses depois de vender o apartamento, como medida de “gestão urgente”, Sofia Fava decidiu adquirir uma herdade de 12 hectares no Alentejo, com piscina e uma casa de 600 m². O preço? 760 mil euros.

O monte em Montemor-o-Novo, localizado na freguesia de São Cristovão, foi, aliás, alvo de buscas levadas a cabo pela PSP sob ordem do Ministério Público (MP), em novembro de 2014. Nesse dia, Carlos Santos Silva, Gonçalo Trindade Ferreira e João Perna foram detidos. Poucos dias depois, foi a vez de José Sócrates.

E no mês seguinte sabe-se também que o tal monte terá sido financiado por Carlos Santos Silva, o amigo de José Sócrates. Contava novamente o CM que o crédito – que cobria em 100% o valor do imóvel – foi concedido pelo BES, para ser pago em 32 anos. As garantias de Sofia Fava ao banco, terão sido duas: uma hipoteca do monte, no valor dos 760 mil euros e a constituição de um penhor de aplicação financeira no mesmo valor, este último sob alegada responsabilidade de Santos Silva.