Portugal caiu duas posições no ranking mundial de competitividade 2015-2016, ficando em 38.º lugar, segundo a lista divulgada esta quarta-feira pelo Fórum Económico Mundial, estando entre as dez economias desenvolvidas que ficaram em pior lugar. Há dois anos Portugal ocupava o 51º lugar e há três anos estava em 49º, depois de muitos anos seguidos a cair neste ranking. A inversão dessa tendência deu-se o ano passado.

Na comparação dos rankings verifica-se que Portugal foi ultrapassado pela Lituânia, República Checa e Kuwait, tendo ultrapassado Porto Rico. Em termos de pontuação, Portugal registava 4,54 em 2014/2015 e situou-se agora nos 4,52 (numa escala de 1 a 7).

De acordo com o Relatório de Competitividade Mundial 2015-2016, publicado esta quarta-feira pelo Fórum Económico Mundial, Portugal surge na posição número 38 nesta edição, uma classificação que coloca a economia portuguesa entre as dez economias desenvolvidas menos competitivas, juntamente com a Grécia (81), a Eslováquia (67), Chipre (65), Eslovénia (59), Malta (48), a Letónia (44), Itália (43), a Lituânia (36) e Espanha (33).

“Em França, na Irlanda, em Itália, em Portugal e em Espanha, observamos melhorias significativas nas áreas da competitividade do mercado e da eficiência do mercado de trabalho, devido às reformas que estes países implementaram. Por oposição, Chipre e a Grécia falharam na melhoria destes pilares”, lê-se no relatório.

Apesar destas reformas, as nossas normas laborais, ainda consideradas “restritivas”, são o quarto pior indicador de Portugal. Aquele que mais penaliza o país é a elevada carga fiscal, logo seguido pela “ineficiência da burocracia governamental”. As dificuldades de acesso ao financiamento surgem em terceiro lugar na lista dos nossos maiores problemas.

Olhando para os doze pilares que contribuem para a formação do índice, verifica-se que os pontos em que Portugal fica melhor nos rankings é a qualidade das infraestruturas (23º lugar), a preparação tecnológica (26º), a qualidade da ensino superior e da formação (26º) e a inovação (28º). Os pontos mais fracos são o ambiente macroeconómico (onde nos situamos no 127º lugar) e o desenvolvimento dos mercados financeiros (107º lugar).

O maior salto na posição destes rankings parcelares ocorreu precisamente na eficiência do mercado de trabalho, onde passámos do 83º lugar para 66º, ainda assim bastante abaixo da nossa posição no ranking global.

Suíça lidera ranking

Este índice continua a ser liderado pela Suíça, por Singapura e pelos Estados Unidos. A Alemanha surge na quarta posição (subindo um lugar) e a Holanda fica em quinto lugar (subindo três posições). O top 10 inclui ainda o Japão, Hong Kong, a Finlândia, a Suécia e o Reino Unido. No final da tabela estão a Guiné, o Chade, a Mauritânia, a Serra Leoa, o Burundi, o Malaui, o Haiti, Moçambique, a Venezuela e Myanmar.

O documento refere que “a maioria das economias desenvolvidas recuperou os seus níveis de competitividade antes da crise” e, tal como nos anos anteriores, ocupam todas os lugares de topo nos ‘rankings’.

“No entanto, permanecem algumas disparidades, com alguns países da Europa de Leste e do Sul a ocupar os lugares mais baixos” entre as economias desenvolvidas, sendo de destacar o caso da Grécia, que é “a economia menos competitiva deste grupo”.

Ao contrário de Portugal, Espanha melhora

O índice geral de Portugal deteriorou-se de 4,54 para 4,52 pontos entre a análise feita no ano passado e a realizada este ano. Mas a vizinha Espanha conseguiu continuar a melhorar na competitividade. O país vizinho melhorou o índice de 4,55 para 4,59 pontos, o que lhe confere o 33º lugar no ranking deste ano.

De um modo geral, o acesso ao financiamento é “o principal obstáculo ao crescimento” nas economias desenvolvidas, com a exceção dos Estados Unidos, cujo nível de acesso ao financiamento já está próximo do verificado antes da crise. Mas, o financiamento da zona euro “é muito mais difícil” do que era há oito anos, sendo “um dos fatores mais importantes a abrandar o crescimento do continente”.

O Fórum Económico Mundial aponta, por um lado, que, quase uma década de instabilidade económica e uma recessão prolongada “erodiram a confiança nas instituições públicas desde 2007” na maioria das economias desenvolvidas, “sobretudo na Europa do Sul”, mas destaca, por outro lado, que “a qualidade das infraestruturas melhorou na Europa do Sul”, tendo Itália apresentado o maior crescimento neste ponto.

O relatório, que vai ser apresentado na manhã desta quarta-feira em Lisboa, dá conta da “emergência de uma divisão na Europa” entre os países reformistas e os outros países.