À saída de uma reunião com a Comissão de Trabalhadores da TAP, o líder da CGTP, Arménio Carlos, falou sobre a privatização da TAP, afirmando que “a prioridade é reverter o processo”. E considera que “a Assembleia da República não pode deixar de se manifestar sobre o processo”, dado que está presente uma maioria que se pronunciou “anteriormente contra a privatização”. 

Para Arménio Carlos, a TAP é uma “empresa estratégica” para o país e o Governo, estando em gestão, “não tem os poderes” que eram necessários para concluir o processo de venda. Considera, também, que o Executivo de Passos Coelho “exorbitou as suas funções”, e “manipulou dados e mentiu”. Na opinião do líder sindical, o processo de privatização “não foi nada transparente e, por outro lado, conflituou claramente com a Assembleia da República e a Presidência da República”. Além disso, argumentou que se verifica “uma grande promiscuidade entre o fator público e o fator privado”, e considera que tal “precisa de ser averiguado pelas autoridades competentes”. 

A questão da venda da TAP preocupa a CGTP porque, diz Arménio Carlos, esta é uma “empresa dos trabalhadores da TAP” e, por outro lado, uma “empresa da população”. E aquilo que os trabalhadores mais querem é ter “esclarecimentos para depois poderem tomar as medidas” que considerem adequadas. 

Arménio Carlos sugere que se a TAP “entrar neste jogo da concorrência” com as empresas low-cost, num futuro próximo deixará de existir uma “empresa com referência estratégica no desenvolvimento do país”. E dada esta importância para o desenvolvimento, segundo o líder sindical, a primeira iniciativa da CGTP “será solicitar aos partidos em maioria na Assembleia da República”, ou seja, aos partidos de esquerda, para tomarem “medidas urgentes no sentido de reverter o processo” de privatização

Aos trabalhadores da TAP, Arménio Carlos pede que “resistam” e que “assegurem que a TAP continua a ser pública e que continua a prestar um serviço de qualidade”. 

“Ao contrário do que alguns já começam a dizer para intimidar e meter medo, que o Estado ia ter um prejuízo enormíssimo [com a renacionalização]… Isso é a mesma conversa de que a TAP já não tinha dinheiro para pagar salários e combustíveis… não acreditamos nessa situação” porque “o argumento é sempre o mesmo”, concluiu Arménio Carlos. 

*Texto editado por Helena Pereira