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Jerónimo de Sousa fez um ultimato a Cavaco Silva: “Qualquer tentativa para procurar subverter a Constituição terá resposta democrática dos trabalhadores e do povo”, disse o líder comunista esta quarta-feira.

A conferência de imprensa foi marcada para o final da manhã, já depois de a Presidência da República ter chamado os partidos para as obrigatórias audiências em Belém. E não teve direito a perguntas dos jornalistas. 

O tom foi duro – mesmo tendo em conta que era Jerónimo a falar para o Presidente. “Não há nenhum pretexto ou razão institucional objetiva que justifique a atitude do ainda Presidente da República, não há nenhuma razão para o prejuízo do normal funcionamento das instituições, para que se mantenha por mais tempo o Governo PSD/CDS em gestão. Não há nenhuma razão para que deliberadamente se arraste uma situação que é fator de instabilidade política económica e social”, disse, deixando subentendido que Cavaco não deve pedir mais condições a António Costa para lhe dar posse.

Jerónimo condenou o que disse ser o adiamento da “indispensável e obrigatória consulta aos partidos políticos com representação parlamentar”, que diz alimentar “falsas soluções”. A acusou o Presidente de “optar uma vez mais por procurar intervir em auxilio dos partidos a que pertence, mesmo que para isso afronte a Constituição e outros órgãos de soberania.”

Para o PCP, portanto, “há uma maioria de deputados, que constitui condição bastante para a tomada de posse de um governo alternativo”. E o Presidente terá de assumir “todas as responsabilidades pelas consequências políticas e institucionais da eventual decisão que por, acão ou omissão, contribua para degradar a situação nacional e promover o confronto com outros órgãos de soberania” – leia-se, os partidos de esquerda representados na AR (e que fazem a sua maioria de deputados). 

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