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O Metro de Lisboa vai parar na próxima semana. A notícia foi avançada pelo Diário Económico. A greve, parcial, foi decidia por quatro sindicados da transportadora. Trata-se da primeira paralisação desde que o governo de António Costa tomou posse e vai ter lugar de quarta a sexta-feira da próxima semana, dias 9, 10 e 11 de dezembro. Os serviços mínimos vão ser avaliados esta quinta-feira, pelo Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social.

Segundo explicou Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) ao Económico, trata-se de uma paragem de “três horas à entrada do primeiro período de trabalho”, ou seja, das 6h30 às 9h30.

As medidas unilaterais tomadas pela administração da empresa em relação aos maquinistas, como alterações no plano anual de férias para 2016, nos horários de trabalho e na colocação de trabalhadores, motivou esta ação de protesto, conforme explicou ao Observador, José Manuel Oliveira, coordenador da Fectrans.

José Manuel Oliveira esclareceu que o pré-aviso de greve foi feito ainda antes da tomada de posse do novo Governo. O representante do sindicato considera que a administração, nomeada pelo antigo Governo, não deveria ter tomado este tipo de medidas antes de se ter estabelecido um novo Governo, até porque a subconcessão das empresas de transporte de Lisboa e do Porto está a ser discutida pelo PS, em conjunto com o PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes – que já apresentaram iniciativas legislativas nesse sentido.

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“Estas novas medidas [da empresa] visam prejudicar o novo Governo”, afirmou o coordenador da Fectrans. O sindicato já agendou uma reunião com a nova tutela e espera que seja possível encontrar soluções para melhor as condições de trabalho e o serviço prestado.

“Estamos conscientes que tendo passado poucos dias da tomada de posse do atual Governo, muitas devem ser as problemáticas que terão em análise. Contudo, de forma mais intensa e grave agora, no Metropolitano de Lisboa, quer o Conselho de Administração, quer particularmente a área da operação (DOM), pelo seu Director, têm potenciado de forma ostensiva o conflito, em particular com os Maquinistas, num total desrespeito pelo AE e pela Lei.
(…)
Contudo e porque pensamos que esta situação, num quadro tão delicado de início da legislatura deverá certamente merecer de V. Exa. particular atenção, pela nossa parte estamos disponíveis para encontrar, de imediato, as melhores soluções, num quadro de respeito pelos Trabalhadores, pela Convenção Colectiva de Trabalho, pela Legislação, pela prestação do serviço público de transporte de qualidade.”

A carta enviada ao primeiro-ministro, António Costa, a solicitar uma reunião com a tutela, aponta que o “extremar de posições” é “agravada pela ausência de diálogo do Conselho de Administração” que continua sem receber os sindicatos “para procurar identificar e resolver as questões”. “Pela nossa parte estamos disponíveis para encontrar, de imediato, as melhores soluções, num quadro de respeito pelos Trabalhadores, pela Convenção Colectiva de Trabalho, pela Legislação, pela prestação do serviço público de transporte de qualidade.”

Além da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), a greve tem o ok do Sindicato dos Trabalhadores da Tração do Metropolitano de Lisboa (Sttm), do Sindicato da Manutenção do Metropolitano (Sindem) e do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (Sitra).