O interesse pelos azulejos das fachadas de casas do Porto motivou três engenheiras a lançar o “Mapping our tiles”, um projeto de georreferenciação nacional deste material de revestimento que liga diversos padrões às localizações físicas onde existem.

Lançado em novembro na internet, o projeto visa “valorizar e partilhar a beleza dos azulejos das casas do Porto e de Portugal”, disse hoje à Lusa Teresa Oliveira, engenheira química, uma das promotoras do projeto, que espera contar com o “contributo de todos”.

A ideia é que cada cidadão fotografe um determinado padrão destes azulejos e tome nota da sua localização. Depois, enviando esse registo por email (mappingourtiles@bonjardim.pt) ou através da rede social Instagram (#mappingourtiles), será feita a sua validação e a sua inscrição no mapa de Portugal que existe no sítio da internet.

“É um projeto a longo prazo”, disse, “para já está muito concentrado no Porto (…), mas não é de todo esse o âmbito, [porque] queremos alargá-lo a todo o país” para perceber os azulejos de fachadas que realmente existem e em que cidades portuguesas, explicou.

O projeto nasceu do gosto que as três engenheiras têm pelos azulejos portugueses, o que as levou a usar alguns dos padrões existentes como imagem de papel de embrulho dos seus sabonetes artesanais produzidos com azeite 100% português virgem extra, aromatizados com óleos essenciais biológicos.

“Utilizamos os padrões para embrulhar os sabonetes, mas este gosto espalhou-se a amigos e família, que nos vão partilhando outros padrões novos e as moradas onde existem”, explicou, acrescentando que assim surgiu a intenção de “perceber a distribuição espacial” destes azulejos no país.

Segundo Teresa Oliveira, o objetivo deste projeto para 2015 foi já largamente superado, tendo em conta que, dos 20 padrões e das 50 moradas definidas, em cerca de mês e meio já estão identificados “43 padrões e mais de 540 moradas”.

Neste curto período de tempo, a georreferenciação já permitiu perceber que “há uns [azulejos] que são muito específicos do centro do Porto, outros que existem no Porto, Lisboa e Aveiro, mas também outros [padrões] que são completamente típicos de Lisboa”, disse a responsável.

“As diferenças e semelhanças entre os vários padrões é outro interesse” das promotoras, que defendem que a divulgação desta informação “é muito importante culturalmente para os portugueses” e deve ser partilhada no presente e preservada no futuro.

Considerando que este tipo de azulejo muito usado no Porto no século XIX “é imediatamente identificado como uma novidade” pelos turistas e é uma marca da cidade do país, o “Mapping our tiles” já entrou em contacto com o Banco de Materiais da Câmara do Porto.

Este banco, com mais de duas décadas de existência, tem como propósito fazer a recolha de todo o tipo de materiais que são identitários da cidade, como azulejos de fachada, estuques e ferros.

“Já falamos com eles e vamos ver como podemos colaborar mutuamente no futuro”, tendo em conta que este banco iniciou já um levantamento exaustivo por toda a cidade (por rua e por prédio) de cadastro dos elementos cerâmicos do edificado.

Os azulejos de fachada, devido à sua humidade e desenho arquitetónico, podem captar luz e refleti-la em zonas mais escuras e graníticas do Porto.