O advogado e escritor António Arnaut apresenta um livro de poesia no sábado, em Coimbra, em que se afirma visionário dos rios que hão de fazer “florir as searas da harmonia coletiva”.

Sobre a obra, intitulada “Era um rio e chorava — 80 poemas para 80 anos”, falará Delfim Leão, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, numa sessão a realizar, às 16:30, no Pavilhão Centro de Portugal.

Na poesia de António Arnaut, que comemorou 80 anos no dia 28 de janeiro, em Penela, sua terra natal, e que publicou mais de 30 livros de diferentes géneros literários, o rio “surge frequentemente como metáfora”, disse esta sexta-feira o autor à agência Lusa.

“O rio é uma imagem recorrente na minha obra poética. Mas este meu rio normalmente não desagua e regressa sempre à pureza da nascente”, acrescentou o amigo de Miguel Torga, que em 2007 publicou o romance “Rio de sombras”, em cumprimento de uma promessa que fizera ao autor de “Os Bichos”, com quem conviveu durante décadas, tanto em Coimbra, como na praia do Pedrógão, na zona de Leiria, onde passavam férias juntos com as famílias.

O principal impulsionador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) — Maçonaria Portuguesa, assume que este novo livro de poesia simboliza o desejo de ver atuais e futuras gerações a “darem continuidade” à sua obra estética, cívica e política, aprofundando a liberdade, a “fraternidade universal”, outros valores e direitos humanos defendidos pelos maçons, em Portugal e no mundo.

“Para que o rio incessante que me corre / leve a metáfora até ao cume / do Sol em devir sempre nos meus olhos”, acentua, reproduzindo a última estrofe de “Memória”, primeiro poema da obra que motivará a intervenção de Delfim Leão na apresentação.

Além dos 80 poemas que integram “Era um rio e chorava”, António Arnaut, quando uma primeira versão do trabalho já estava acabada nas oficinas da “Coimbra Editora”, decidiu ainda juntar um derradeiro “Poema inacabado (fragmento)”, escrito pelo seu punho e assim reproduzido na contracapa.

Significa este gesto, assumido quando Arnaut já tinha celebrado 80 anos, no âmbito de uma homenagem promovida pela Câmara Municipal de Penela, que “alguém há de continuar a obra”, explica o autor à Lusa, que se considera “um pacifista revoltado e um poeta da revolução humanista”.

Chegar aos 80 anos de idade, completando 62 de vida literária, “é como que dobrar o Cabo Adamastor”, sublinha o antigo ministro dos Assuntos Sociais, um dos fundadores do PS e seu militante número 4, afastado da política ativa há quase 40 anos.

“Escrevo todos os dias poesia, que aproveito ou não”, tudo dependendo das “horas amargas e doces”, do “amor e mágoa” que impulsionam o trabalho criativo, “sempre à procura de um verso que nunca se encontra”, refere.

No sábado, o programa de lançamento do último livro de António Arnaut, no Pavilhão Centro de Portugal, no Parque Verde do Mondego, inclui um momento musical pela Orquestra Clássica do Centro (OCC).

A obra literária do escritor ficará exposta naquele espaço cultural, sede da OCC, até 25 de abril, dia em que são assinalados os 40 anos da Revolução dos Cravos.