Carruagens avariadas à espera de intervenção ou para fornecer peças às unidades que estão em circulação. Estes são algumas das consequências dos cortes no investimento em manutenção dos últimos anos e que têm levado à degradação do serviço comercial do Metropolitano de Lisboa denunciada pela Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa.

Segundo o Expresso, a Metro de Lisboa assume que 19 das 111 carruagens estão avariadas e aponta o dedo ao desinvestimento ao nível de manutenção “ao longo dos últimos anos”. A empresa está a rever o plano de manutenção com o objetivo de recuperar níveis de eficiência e rapidez e espera obter resultados no final do ano.

Esta situação tem levado a empresa a recorrer a peças de comboios encostados para assegurar a circulação de outras unidades, lê-se ainda este sábado no jornal Público. Haverá 11 unidades fora de circulação que estão a ser utilizadas para fornecer peças às que estão a circular, como resposta à falta de verbas para comprar material para substituição.

Durante os anos de vigência do resgate da troika, o Governo apertou a disciplina orçamental sobre as empresas públicas, sobretudo naquelas, como o Metropolitano de Lisboa, que contam para o cálculo do défice público. Um dos resultados é a falta de autonomia das administrações para fazer gastos, sem a autorização por despacho dos ministérios da tutela, neste caso o Ambiente, e das Finanças.

Na sexta-feira, o presidente da empresa disse que a expansão da rede (para o aeroporto e para a Reboleira), a constrangimentos orçamentais e a redução de trabalhadores eram os responsáveis pelas falhas do sistema. “Essa dimensão de crescimento, com a obrigação de reduzir custos, afetou um pouco a capacidade de responder à operação”, disse Tiago Farias à Lusa, acrescentando que, nos últimos seis anos, o metro perdeu 300 trabalhadores.

Na mesma entrevista, o administrador afirmou que o número de passageiros teve um crescimento de 9,3% entre janeiro e agosto deste ano, face a igual período de 2015.

O Governo anulou a subconcessão dos transportes de Lisboa e Porto a empresas privadas que tinha sido decidida pelo anterior Executivo. A intenção do Ministério do Ambiente é que a gestão da Carris e do Metro passe para as mãos da Câmara Municipal de Lisboa já a partir do início do próximo ano. Fernando Medina, presidente da autarquia, já disse mais do que uma vez que os transportes da capital estão numa situação “absurda” e acredita que a câmara “fará melhor e gerirá melhor” do que empresas privadas.

Uma das prioridades do Governo e da autarquia passa pela união das linhas verde e amarela, criando duas novas estações — Santos e São Bento — entre o Cais do Sodré e o Rato, mas não há prazos nem para o início nem para o fim desses trabalhos. O que está previsto avançar já em 2017, são as obras em duas estações da linha verde, Areeiro e Arroios, que vão permitir a circulação de comboios com seis carruagens (em vez das atuais três). Durante 18 meses, a estação de Arroios estará mesmo encerrada ao público, disse Tiago Farias.

Enquanto isso, o metro debate-se com problemas cuja resolução, por vezes, se arrasta meses a fio. É o caso das constantes avarias nas escadas rolantes e elevadores das estações. Há dois anos, um lanço de escadas na Baixa/Chiado esteve parado quase três meses, mas os casos já na altura não eram novos. Em 2010, perante uma paragem generalizada de pelo menos oito dos 12 lanços de escada na mesma estação, foi o próprio António Costa, à data presidente da autarquia, a considerar “inacreditável” a frequência com que aqueles equipamentos se avariam.