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Escritor quer transformar fábrica de Schindler em museu

Este artigo tem mais de 4 anos

A fábrica em que Oskar Schindler salvou 1.200 judeus pode vir a ser um museu. Jaroslav Novak, um escritor checo, quer garantir fundos europeus que o ajudem a construir o memorial.

A fábrica está abandonada desde 2009, altura em que deixou de produzir têxteis
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A fábrica está abandonada desde 2009, altura em que deixou de produzir têxteis

Wikimedia Commons

A fábrica está abandonada desde 2009, altura em que deixou de produzir têxteis

Wikimedia Commons

A fábrica que Oskar Schindler utilizou, em 1944, para salvar cerca de 1.200 judeus do Holocausto está, atualmente, abandonada. O complexo industrial, na vila de Brněnec (na altura Brünnlitz), a mais de 200 quilómetros da capital da República Checa, Praga, é hoje um cenário desolador, com vegetação selvagem a invadir o edifício e lixo a acumular-se no terreno, de acordo com uma reportagem do jornal britânico The Guardian. Mas há planos para converter o local num museu e num memorial a Schindler.

Foi neste local que o industrial alemão, membro do partido nazi, escondeu mais de um milhar de judeus, que vieram das fábricas de Schindler na Polónia, sob o pretexto de serem especialistas em munições que iriam ajudar no fabrico dos tanques alemães. Na verdade, Schindler levou-os para evitar que morressem, inevitavelmente, nos campos de concentração nazis. No final da guerra, com o avanço dos soviéticos, os alemães, forçados a retirar, aumentaram a intensidade das execuções.

Até 2009, a fábrica ainda funcionou, produzindo têxteis para os assentos dos carros da Skoda e para o Ikea. Depois de fechar, ficou durante alguns anos abandonada, até passar, recentemente, para a propriedade de uma fundação criada agora com o objetivo de estabelecer um memorial no local. A fundação é dirigida pelo escritor checo Jaroslav Novak, que está à procura de financiamento europeu para a instalação do museu. “Não podemos simplesmente permitir que a história de Schindler desapareça”, sublinha ao jornal britânico.

Esta fábrica “é o único campo de concentração nazi que ainda existe intacto com o seu edifício original”, sustenta Novak, lembrando que está há 20 anos “a lutar por isto”. “Mas as pessoas não estão interessadas”, lamenta o escritor. Apesar disso, Novak garante já estar perto de convencer o Ministério da Cultura da República Checa a classificar o local como zona protegida. E já conseguiu um fundo de apoio das autoridades regionais de Brněnec. Os custos de transformar o local num museu estão estimados em cerca de 5 milhões de euros, e é necessária uma intervenção rápida no telhado do edifício para evitar que, como consequência do próximo inverno, os custos de reparação se tornem ainda maiores.

1st May 1962: Hundreds of Jews and their families turned out at Lydda Airport, Israel to welcome Oscar Schindler (1908 - 1974), a Sudeten-born German, of Frankfurt, who is said to have been responsible for saving 11,100 Jews from the Nazi persecutions during World War II. He employed the Jews in a factory he operated at Zabiceczech, near Cracow, and although often questioned by the occupation forces, always averted danger by exploiting personal contacts. He was brought to Israel as a guest of the government to take part in the ceremony of planting the first saplings in 8The Avenue of Righteous Gentilese today to commemorate non-Jews who helped Jews against the Nazis during the war. Original Artwork: Photo shows: Mr Schindler on arrival at Lydda Airport, Israel (Photo by Keystone/Getty Images)

Oskar Schindler. (Keystone/Getty Images)

Mas há outro problema além do financeiro, recorda o The Guardian. É que, apesar de internacionalmente reconhecido como herói — especialmente depois do filme de Steven Spielberg “A Lista de Schindler” –, o empresário checo não era bem visto pelos seus compatriotas. Schindler era nazi, da então Checoslováquia, e, antes da anexação do território pela Alemanha nazi, já o industrial espiava para os serviços de inteligência de Hitler. E essa herança ainda é visível no país: na casa onde nasceu, não há nenhum memorial a lembrar Schindler, porque o atual dono do edifício não o permite. Há apenas uma pequena placa do outro lado da rua, que foi vandalizada com uma suástica logo após ser inaugurada.

“Sim, Schindler era um nazi, um criminoso de guerra e um espião. Mas eu conheci 150 judeus que estavam na lista dele, e que estiveram no campo de Brněnec, e que dizem que o que é importante é estarem vivos”, reconhece o historiador Radoslav Fikejz, responsável por um museu checo que dedica uma exposição a Schindler. Uma opinião partilhada pelo diretor da federação das comunidades judaicas na República Checa, Tomas Kraus: “É uma história muito complexa. Schindler era um criminoso que mais tarde se tornou num salvador e num herói. Mas não foi o único. Houve outros como ele, ele foi apenas o mais famoso”.

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