Reçep Tayip Erdogan está mais perto de ver os seus poderes serem alargados enquanto Presidente da Turquia e de garantir que a Constituição lhe permite estar mais uma década à frente dos destinos do país que tem gerido de forma autoritária, depois de o Parlamento ter aprovado um pacote de reformas à Constituição, que irão ser votadas em referendo na primavera.

Depois de quatro anos como presidente da Câmara de Istambul, de onze anos como primeiro-ministro e ao fim de três anos como Presidente da Turquia, cargo que vindo a ter os seus poderes reforçados (e até já forçou a saída de um primeiro-ministro), Reçep Erdogan está muito perto de garantir que a Constituição lhe dá a oportunidade de estar no poder mais uma década.

As mudanças à Constituição da Turquia foram aprovadas no parlamento turco por uma vasta maioria dos legisladores turcos, mas ainda está dependente do voto popular.

Ao todo são 18 mudanças à Constituição que pretendem dar mais poder ao Presidente turco sobre o parlamento turco e sobre o sistema judicial. Na prática, Erdogan quer criar um sistema presidencial em que, à semelhança dos Estados Unidos e França, quem tem o poder executivo é o Presidente, reduzindo os poderes do Parlamento.

Nas propostas aprovadas está previsto ainda o aumento de 550 para 600 o número de deputados, é reduzida a idade para mínima para se candidatarem de 25 para 18 anos, e introduzida a figura dos deputados substitutos e eliminadas as eleições intercalares em caso de saídas.

Uma das mais importantes mudanças é o aumento do número de mandatos para o qual se pode candidatar o Presidente, que passa para três. Como as mudanças entram em vigor em 2019, ano de eleições, Reçep Erdogan teria a oportunidade de estar no poder, caso vencesse as eleições, de ficar no poder até 2029.

Os apoiantes do Presidente defendem que as suas propostas vão no caminho certo para garantir a estabilidade do país numa altura em que a economia turca enfrenta dificuldades, e que a Turquia tem sido alvo de vários ataques terroristas.

Mas a oposição defendem que votar este tipo de medidas numa altura em que o país se encontra em estado de emergência, na sequência da tentativa de golpe de Estado, é perigoso e só evidencia os tiques autoritários do Presidente.

Desde a tentativa de golpe de Estado em julho, as autoridades turcas já despediram mais de 140 mil funcionários públicos acusados de ajudarem os alegados autores da tentativa de golpe de Estado. Cerca de 40 mil destes estão detidos atualmente.