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Seria complexo, seria caro e teria custos sociais elevados. Mas o Governo chegou a admitir dividir o Novo Banco em dois e vender uma parte ao BCP e outra à Caixa Geral de Depósitos, noticia o Público esta sexta-feira.

A hipótese esteve em cima da mesa em junho, altura em que Eduardo Stock da Cunha ainda não tinha regressado ao Lloyds Bank para dar lugar a António Ramalho na liderança do Novo Banco. Do outro lado, António Domingues estava a preparar o plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a Comissão Europeia ainda não tinha dado luz verde ao plano para o banco público. E, por outro lado, ainda, o BCP estava também a trabalhar na reorganização da sua estrutura acionista, o que levaria à entrada dos chineses da Fosun no capital do banco, via aumento de capital.

Na altura em que esta hipótese esteve em cima da mesa, explica o Público, o BCP estava, ainda, a esforçar-se para garantir que o banco seria capaz de reembolsar os 750 milhões de euros em empréstimo estatal que faltava devolver. A questão viria a ficar resolvida com o aumento de capital, mas naquela altura a petrolífera angolana Sonangol acabara de entrar em processo de reestruturação e nada era garantido se não houvesse a entrada dos chineses no aumento de capital. Caso o BCP não devolvesse o empréstimo, esses títulos seriam convertidos em ações, ou seja, o Estado entraria no capital do BCP.

Segundo o Público, foi então que “em círculos governamentais” se admitiu a hipótese de gizar um plano complexo para resolver estes problemas. Mas António Domingues, na altura em contactos intensos com a Comissão Europeia para ver aprovado o plano de recapitalização pública da Caixa, levantou “fortes objeções”, já que isso iria fazer aumentar ainda mais as necessidades do banco público e melindrar a autoridade da concorrência europeia.

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Do lado do BCP, esta foi uma fase em que Nuno Amado disse publicamente que estava interessado no Novo Banco e que queria ser o BCP a garantir que o banco que resultou da resolução do BES manteria uma “matriz portuguesa”. O banco liderado por Nuno Amado acabaria por seguir outro caminho, fazer o aumento de capital para a entrada da Fosun e, do lado do Novo Banco, o Banco de Portugal avançou com o processo que viria a escolher o fundo norte-americano Lone Star como melhor oferente.

Para o Governo, a questão foi “rapidamente” descartada, diz o Público, já que esta mega-operação na banca portuguesa iria levar a muitas dispensas de funcionários nos três bancos.