Artesãos, arquitetos, designers e curiosos têm encontro marcado, em Cascais, na primeira edição da Portuguese Makers Craft Week. Durante seis dias, a marca portuguesa apresenta-se ao mundo com aulas informais e oficinas voltadas para o design, mas também para a excelência da manufatura nacional. “Este evento pretende dar uma ideia de como as coisas são feitas e estabelecer um elo de ligação entre artesãos, arquitetos e designers”, afirma Vasco Braga da Costa, um dos fundadores da Portuguese Makers.

Mas para perceber bem o que acontece de 4 a 9 de setembro, é preciso retroceder uns dois anos, até ao momento em que Vasco, da área da gestão, e Ana Bruto da Costa, arquiteta, na altura a viver em Basileia, se aperceberam de que várias marcas e ateliers de design internacionais recorriam a Portugal para produzirem as suas peças. “Sobretudo da Suíça para cima, o design está muito presente no dia-a-dia das pessoas e havia um interesse do centro da Europa pela produção portuguesa, uma produção semi-industrial, que nós desconhecíamos”, explica Vasco.

No meio, Vasco e Ana, os mentores da Portuguese Makers, e nas pontas Inês e Francisco Bruto da Costa (irmãos de Ana), que entretanto se juntaram ao projeto. ©Divulgação

No saber fazer português, o casal encontrou um potencial ainda por explorar e, na Portuguese Makers, a oportunidade de dar ao made in Portugal a justa visibilidade internacional. Foi uma questão de pôr a rede de contactos a funcionar. A tática é só uma: convidar designers de renome a desenhar objetos utilitários, produzi-los em Portugal e depois vender as coleções limitadas lá fora, num segmento de luxo. As royalties vão para os designers, tudo o resto é ganho para os fabricantes.

Portugal tem um preço muito competitivo e um conhecimento enorme de técnicas que já não se ensinam. Culturalmente, somos assim, gostamos de passar o conhecimento de geração em geração”, diz Vasco Braga da Costa.

Para dar um exemplo, o empresário recupera um caso de sucesso, o pavilhão de verão da Serpentine Gallery, em 2012. O projeto, assinado pela dupla de arquitetos Herzog & de Meuron e pelo artista plástico Ai Weiwei, envolveu uma estrutura feita pela Corticeira Amorim. Tinha mais de 80 metros cúbicos de cortiça, além de 108 peças de mobiliário esculpidas manualmente por técnicos portugueses. Um brilharete que, no que depender da Portuguese Makers, terá muitas réplicas. A primeira coleção só chega em 2018 e não deverá ir muito além das cinco peças, entre mobiliário e acessórios de decoração. A Suíça será o mercado prioritário, sobretudo pelo seu valor enquanto montra de design e arquitetura, quer para a Europa, quer para o Oriente.

Mas, antes de tudo, os quatro sócios quiseram “fazer barulho”. Pela Portuguese Makers Craft Week vão passar Cecilie Manz, Jens Fager, Clara von Zweigbergk, Marc Morro, referências internacionais na área do design, e ainda os portugueses Hugo Passos e Miguel Vieira Baptista. Entre eles, estão alguns dos nomes convidados a desenhar peças para a primeira coleção da marca. Durante os seis dias, pela manhã, a conversa com cada um dos oradores será aberta e informal. À tarde, a sugestão é pôr as mãos na massa. Marcas e artesãos nacionais propõem que cada dia seja dedicado a uma técnica diferente, da cerâmica e dos têxteis à pele e às técnicas de impressão. Dos workshops, os participantes saem com uma peça única, feita sob a orientação de quem mais percebe de cada arte.

O local escolhido foi a Casa de Santa Maria, em Cascais. Até 30 de julho, um dia de Portuguese Makers Craft Week, com aula de manhã e workshop à tarde, custa 110€. O passe para os seis dias fica em 450€. A partir dessa data, os valores aumentam. Quanto à lotação, o limite máximo deverá estar entre os 30 e os 40 participantes por dia.

O quê? Portuguese Makers Craft Week
Quando? 4 a 9 de setembro
Onde? Casa de Santa Maria (Cascais)
Quanto? 110€ um dia, 450€ o passe (nas inscrições feitas até 30 de julho)