A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) “não pode deixar de manifestar a sua apreensão e perplexidade” com as linhas orientadoras que a Direção-Geral da Educação disponibilizou para aquele que será o ensino da disciplina nas turmas do Ensino Básico que vão integrar o projeto piloto de flexibilidade curricular, afirmou em comunicado.

“Tendo por base estas preocupações, a SPM alerta escolas, professores e pais para os perigos que estes experimentalismos apressados, promovidos em determinadas escolas abrangidas pelo ‘projeto de autonomia e flexibilidade curricular (PAFC)’, podem acarretar para o futuro académico dos alunos envolvidos”, lê-se.

Para a SPM, o documento é “de uma forma geral excessivamente vago, portanto ineficaz como orientador do ensino” e poderá “comprometer seriamente o percurso escolar dos alunos que frequentarem estas turmas”. A 11 de agosto, o Ministério da Educação deu a conhecer as 235 escolas que farão parte do projeto piloto que começa já no próximo ano letivo e que vai permitir que estes estabelecimentos possam escolher como querem ensinar os alunos.

A SPM diz ainda que estas linhas orientadoras podem “reduzir drasticamente, e em alguns pontos desvirtuar gravemente, o programa e as metas em vigor, indiciando um retrocesso e desinvestimento no conhecimento e no ensino”, afirmando que as alterações estão a ser introduzidas num momento em que “todos os indicadores de educação revelam avanços positivos no ensino da Matemática” e que não integrou o grupo de trabalho encarregue de elaborar o documento orientador.