Festival da Canção

Diogo Piçarra reage a críticas que comparam música do Festival da Canção a uma da IURD

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Música de Diogo Piçarra, "Canção do Fim", está a ser comparada com "Abre Os Meus Olhos", da IURD e a ser criticada por plágio. O cantor já reagiu nas redes sociais. Diz estar de consciência tranquila.

Joao Pedro Correia

Ontem Diogo Piçarra conquistou o primeiro lugar na segunda semi-final do Festival da Canção, com a votação máxima do público e do júri — 12 pontos. Hoje, as redes sociais têm feito uma comparação entre a música composta pelo cantor, “Canção do Fim”, e uma das músicas da Igreja Universal do Reino de Deus, “Abre Os Meus Olhos”.

[Veja no vídeo a comparação entre as duas músicas]

O cantor já reagiu à polémica: disse que tem a consciência tranquila, que o conceito da música surgiu em 2016 e que não tem qualquer ligação a uma comunidade religiosa. “Nunca participaria num concurso nacional com a consciência de que estava a plagiar uma música da Igreja Universal. Teria agarrado na guitarra e feito outra coisa qualquer”, escreveu ele no Facebook e no Instagram.

A simplicidade tem destas coisas e só quem não cria arte é que nunca estará nesta posição. Faz parte da vida de um compositor e é algo que todos nós iremos “sofrer” a vida toda. A ideia para a “Canção do Fim” surgiu em 2016, juntamente com muitas outras do meu mais recente disco “do=s”. Mantive-a guardada por achar algo especial, no entanto, a sua simplicidade e a sua progressão de acordes não é algo que não tenha sido inventado, tal como tudo na música. E é engraçado como a vida tem destas coisas, coincidência divina ou não, e perceber que a Internet é o verdadeiro juíz dos tempos modernos. Aclama mas também destrói. A minha consciência está tranquila na medida em que eu próprio sou quem está mais surpreendido no meio disto tudo: nasci em 1990, não sou crente nem religioso, e agora descobrir que uma música evangélica de 1979 da Igreja Universal do Reino de Deus se assemelha a algo que tu criaste, é algo espantoso e no mínimo irónico. Desconhecia por completo o tema e continuarei a defender a minha música por acreditar que foi criada sem segundas intenções. Como disse, a simplicidade tem destas coisas, e as melodias na música não são ilimitadas. Nunca participaria num concurso nacional com a consciência de que estava a plagiar uma música da Igreja Universal. Teria agarrado na guitarra e feito outra coisa qualquer. Afinal as pessoas “quando olham, vêem tudo”, no entanto, só o lado mau que procuram destruir. Mas, infelizmente, informo que isso nunca acontecerá. Obrigado a esta família gigante que me apoia sempre ❤️????

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Em publicações nas redes sociais, o cantor disse que “a simplicidade tem destas coisas e só quem não cria arte é que nunca estará nesta posição. Faz parte da vida de um compositor e é algo que todos nós iremos sofrer a vida toda”. E defendo-se dizendo que o conceito da “Canção do Fim”, a mais votada de todas no Festival da Canção, surgiu em 2016, juntamente com outras desenvolvidas para o disco “do=s”: “Mantive-a guardada por achar algo especial, no entanto, a sua simplicidade e a sua progressão de acordes não é algo que não tenha sido inventado, tal como tudo na música”.

[Veja no vídeo 5 respostas de Diogo Piçarra sobre a acusação de plágio, em entrevista ao Observador]

O cantor sublinha que está de consciência tranquila: “A minha consciência está tranquila na medida em que eu próprio sou quem está mais surpreendido no meio disto tudo: nasci em 1990, não sou crente nem religioso, e agora descobrir que uma música evangélica de 1979 da Igreja Universal do Reino de Deus se assemelha a algo que tu criaste, é algo espantoso e no mínimo irónico. Desconhecia por completo o tema e continuarei a defender a minha música por acreditar que foi criada sem segundas intenções”.

Diogo Piçarra remete as últimas críticas à canção para o tema da própria música: “Afinal as pessoas “quando olham, vêem tudo”, no entanto, só o lado mau que procuram destruir. Mas, infelizmente, informo que isso nunca acontecerá”.

De acordo com as explicações do pianista Filipe Raposo ao Observador, estamos perante um plágio quando “a melodia de uma música se assemelha à de outra”: “Há centenas de melodias e é natural que algumas nos lembrem de outras canções, mas a partir de certa altura elas tendem a divergir e isso indica-nos que não estamos perante um plágio. Mas há uma diferença entre uma música ser parecida e ser plágio direto, que acontece quando a melodia é igual ou semelhante durante longos períodos de tempo”. Em suma, uma música é plagiada de outra quando é “uma sombra”: não tem de ser exatamente igual, mas pode ter tonalidades diferentes e ainda assim ter sido copiada.

[A música de Diogo Piçarra, “Canção do Fim”]

[A música da IURD, “Abre Os Meus Olhos”, comparada com a de Diogo Piçarra]

Contactado pelo Observador, Júlio Isidro, presidente do júri do Festival da Canção, garantiu não saber da alegada polémica, nem ter conhecimento da música da IURD.

No regulamento do Festival da Canção, é dito que “as 20 canções terão de ser obrigatoriamente originais e inéditas, não podendo ter sido comercializadas ou apresentadas em publico anteriormente. Caso venha a verificar-se que há canções que não são originais e inéditas, ou que tenham sido divulgadas publicamente, por quaisquer meios existentes ou que venham a ser criados, as mesmas serão desclassificadas”.

O Observador ainda não conseguiu contactar Gonçalo Madaíl, diretor criativo do Festival da Canção e da Eurovisão. Ao Diário de Notícias, Vitorino d’Almeida disse que a música “não é um plágio, é igual”: “A música é muito simples, é elementar e nestes casos é mais fácil acontecerem plágios. Mas felicito o música por nunca ter ouvido um cântico da IURD”, disse o maestro.

No Twitter, são já dezenas os tweets que têm sido feitos sobre o tema. Os internautas dizem que as semelhanças entre as duas músicas são evidentes.

Também há, no entanto, quem defenda o cantor:

Contactado pelo Observador, um responsável da comunicação da IURD disse apenas que se a canção for de um bispo ou de um pastor da Igreja, então é a esse mesmo pastor, ou bispo, que pertencem os direitos desta música.

*Artigo atualizado às 20h05 de segunda-feira

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