Serviço Nacional de Saúde

Cirurgião Manuel Antunes deixa SNS, mas o Governo “não o vai deixar em paz”

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Manuel Antunes despediu-se da sua atividade enquanto diretor do Centro de Cirurgia Cardiotorácica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

PAULO NOVAIS/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Manuel Antunes despediu-se esta sexta-feira da sua atividade enquanto diretor do Centro de Cirurgia Cardiotorácica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), com a promessa do Governo de “não o deixar em paz” e com elogios do Presidente da República.

Na última aula do professor e cirurgião Manuel Antunes, que decorreu em Coimbra, o ministro da Saúde elogiou o percurso do médico do CHUC, recordando a sua vontade, antes de estar no Governo, de “poder um dia ‘manuelantunizar’ o Serviço Nacional de Saúde”. “‘Manuelantunizar’ não significava fazer clones, mas trazer para o sistema pessoas com capacidade de liderar, com coragem, com seriedade dos propósitos, com capacidade de serem reconhecidos como exemplo e com aquela pontinha de mau feitio que o líder tem que ter”, afirmou Adalberto Campos Fernandes, sublinhando que não acredita “em personalidades redondas”.

Por Manuel Antunes ser um “pioneiro” e “um homem que nunca desistiu de pensar”, o ministro da Saúde sublinhou que vai continuar a procurar os seus contributos, considerando-o “uma das páginas mais importantes” da história do Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Embora a lei da República o impeça de continuar ao serviço do serviço público, nós não o vamos deixar em paz”, assegurou Adalberto Campos Fernandes.

Falando antes da última aula do médico do CHUC que agora abandona o SNS por limite de idade, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhou as várias qualidades de Manuel Antunes, reconhecendo “um excecional percurso de vida”. Apesar de sair do SNS, “a coletividade não vai desperdiçar o talento de quem hoje é celebrado”, vincou Marcelo Rebelo de Sousa, considerando este momento não como “um ponto final parágrafo na carreira”, mas apenas um sinal de que a vida e obra do médico prosseguem.

Questionado pelos jornalistas no final da cerimónia, o chefe de Estado realçou que Manuel Antunes “não faz falta porque está presente. É uma referência viva, não é uma referência morta”. “Está para ficar e para contribuir muitíssimo para o futuro da saúde em Portugal”, acrescentou.

Questionado sobre o limite de idade, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que há que encontrar um “equilíbrio entre o Direito e a equidade”. Para o Presidente da República, o centro que o médico dirigiu durante longos anos “é um exemplo da saúde em Portugal, um exemplo na saúde europeia e na saúde mundial”.

Manuel Antunes, que falava com os jornalistas, reafirmou que vai continuar a trabalhar com doentes, não sabendo ainda se “é em clínicas privadas ou se é em missões humanitárias”. “Até hoje, ainda não pensei nisso”, disse o médico, que na quinta-feira realizou a sua última cirurgia.

Sobre o futuro, diz que ninguém o vai ouvir falar sobre o centro, mas, relativamente ao SNS, “é outra coisa”. “Continuarei a pertencer ao sistema de saúde de Portugal e sempre que achar que tenho alguma coisa a contribuir, fá-lo-ei, naturalmente”, disse.

Durante a última aula, proferida no auditório do CHUC, Manuel Antunes fez um resumo do seu percurso de vida pessoal e profissional, em que aproveitou para agradecer aos seus “mestres”, à sua equipa e, de forma especial, à família, a quem agradeceu “o tempo que lhes era devido e que não” lhes deu. “Sinto-me como aquele que, numa caminhada, com a meta desenhada, chega lá com o sentido de que gostaria de continuar a correr”, disse, a concluir a lição, o médico, que ao longo do discurso se foi socorrendo de citações de pessoas distintas como João Lobo Antunes, Rubem Alves, Michael Jordan, Churchill e Teresa de Calcutá, ou até de alguns versos do hino da Mocidade Portuguesa.

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