Festivais de Música

Neopop. Viana do Castelo como “capital do techno” e St. Germain, Jeff Mills e Nina Kraviz como pratos fortes

A partir desta quarta-feira, 8, o Neopop torna-se "capital internacional do techno". O Forte de Santiago da Barra, em Viana do Castelo, atrairá pessoas vindas de 50 países, para dançar até de manhã.

O francês Ludovic Navarre, mentor e criador de St. Germain, fará muitos festivaleiros regressar aos anos 1990 e a discos como "Boulevard" e "Tourist"

Kevin Davies

O cenário repete-se todos os anos: milhares de fãs de música eletrónica deslocam-se em agosto ao Forte Santiago da Barra, em Viana do Castelo, para ouvir alguns dos mais importantes DJ e produtores internacionais de house e techno. Este ano não será exceção, como também não é nova a opção do festival Neopop em ter um cabeça de cartaz mais abrangente e veterano, capaz de atrair público um pouco menos sintonizado com as pistas de dança modernas e com as festas de techno fora de horas.

Se em 2017 os alemães Kraftwerk foram as estrelas que destoaram de um cartaz de produtores e DJ a solo, muitos dos quais bem mais jovens (destacou-se também o grupo alemão Moderat, que fez um live act, isto é, atuação ao vivo), este ano a escolha para fugir ao techno e house mais retilíneos foi St. Germain, alter-ego do francês Ludovic Navarre, que marcou o final dos anos 1990 e início dos 2000 com a sua música de dança cheia de groove, onde se ouviam soul, funk e jazz adaptados a uma matiné dançante ou a um cenário lounge. Não se trata só de revivalismo, contudo, já que Navarre voltou em 2015 a editar um disco como St. Germain (homónimo e razoavelmente bem sucedido, embora sem o impacto dos “clássicos” Boulevard, From Detroit to St Germain e Tourist) e regressou às digressões regulares, acompanhado por uma banda.

Se há uma mudança assinalável na edição de 2018, a 13ª do festival, é a soma de mais um dia ao cartaz do Neopop. Aos três dias habituais de atuações, acrescenta-se este ano mais um: já esta quarta-feira, dia 8 de agosto, o Neopop abre as portas para receber gratuitamente os festivaleiros mais rápidos a reservar online as entradas, gratuitas mas condicionadas à lotação do espaço, de 7500 pessoas. A procura foi grande e o primeiro dia está já esgotado.

O 13º Neopop decorre a partir desta quarta-feira, 8 de agosto. @ Rui Soares

A ambição não é pequena. Em declarações à agência Lusa, o autarca de Viana do Castelo, José Maria Costa, colocou a fasquia nos píncaros, dizendo que o objetivo é “posicionar” o festival para ser, “quer a nível nacional, quer a nível internacional, a capital do techno”. Não será fácil, dada a importância histórica do eixo Detroit-Berlim no surgimento e crescimento deste género musical, de batida intensa e relativamente constante, mas a maturidade do Neopop e os trunfos sucessivos na programação permitem sonhar alto. Pelo menos durante quatro dias. O público, esse virá em peso, oriundo de perto de 50 países.

4.ª, 8 de agosto

Este ano, não faltam motivos de interesse para os aficionados das pistas de dança mais enérgicas. E se St. Germain é o destaque maior da primeira noite, na quarta-feira, Ivan Smagghe garante o reforço do contingente francês com batidas mais musculadas e agudas. Também merecedores de destaque são o senhor Lux Frágil, Rui Vargas, DJ nacional de referência na música de dança e residente nessa discoteca, e Mr. Herbert Quain, isto é, alter-ego dançante do português Manuel Bogalheiro, inspirado pelo universo ficcional de Jorge Luis Borges. Os dois lideram o contingente de DJ e produtores nacionais do primeiro dia do Neopop, atuando no palco principal (o NEO Stage) antes dos dois franceses. Já no palco secundário, Anti, a música começa às 16h e prolonga-se até por volta das 3h30.

5.ª, 9 de agosto

No segundo dia de Neopop, quinta-feira, 9, as atenções estarão concentradas em grande parte no bósnio Solomun, que cresceu na Alemanha e fez-se aí DJ e produtor musical de destaque, já com várias passagens por Portugal; no trio Apollonia, composto por Dyed Soundorom, Shonky e Dan Ghenacia; no músico e produtor alemão Recondite (Lorenz Brunner), que misturará escolhas de DJ set com música tocada no momento; e no grande embaixador do techno de Berlim Ben Klock, outra presença habitual em discotecas e festivais nacionais que atua às 7h. Pelo palco principal passam ainda os portugueses Switchdance e Trikk, já presentes em edições recentes do Neopop, e Adriatique, Nastia e Agents of Time. Terzi, Tiago e Dexter são alguns dos DJs que vão animar o palco secundário.

6.ª, 10 de agosto

Há quem lhe chame “o mago” e a alcunha (de que abdicou em 2013) vem precisamente da mestria com que concilia música dançável e música experimental, erudição e fisicalidade. Aos 55 anos, Jeff Mills, antigo membro dos Underground Resistance, foi sempre um enigma para muitos dos seus pares: misturou os géneros da música negra americana na pista de dança como ninguém nos anos 1980, mas daí em diante explorou tantos registos quanto a imaginação lhe permitiu, fazendo instalações sonoras, aproximando-se dos meios eruditos e gravando e atuando com orquestras, como a Sinfónica do Porto. A multitude de experiências enriqueceu-o e tornou-o um dos músicos mais inovadores das últimas décadas — e não apenas da música eletrónica. É o grande destaque da noite de sexta-feira no Neopop, para a qual estão convocados o chileno-alemão da música minimal Ricardo Villalobos (para a hora mais tardia, 7h), o alemão de ascendência turca Len Faki e o italiano Joseph Capriati, entre muitos outros.

Sábado, 11 de agosto

O início de sábado será de repouso para a maioria. Ou talvez não, porque a direta é solução que alguns festivaleiros do Neopop não enjeitam, com a praia fluvial da Argaçosa, situada junto à zona de campismo, a revelar-se um bom programa diurno. Ainda assim, recuperar energias talvez não seja a pior das ideias, até porque Marco Carola só encerra o palco Neo (e esta edição do Neopop) às 9h de domingo. Antes disso, as atenções concentram-se na russa Nina Kraviz, uma das DJ e produtoras mais populares do techno mundial, bem conhecida do público português, que a já viu em múltiplos festivais (Neopop incluído) e discotecas no passado. Kraviz atua às 2h30, antes de Paul Ritch (às 4h30, em live act) e Josh Wink (às 5h30). Por esse palco passam ainda Nuno Di Rosso, Voiski (live act), Kink (no mesmo formato) e os portugueses Serginho e Zé Salvador, que se apresentam em dupla. Lewis Fautzi, repetente no Neopop, é um dos destaques do palco secundário, merecendo atenção máxima.

Consulte os horários completos:

Palco NEO Stage
4.ª, 8/8 – 19h Mr. Herbert Quain live || 20h Rui Vargas || 22h30 St Germain live || 0h Ivan Smagghe
5.ª, 9/8 – 16h30 Switchdance || 18h30 Trikk || 20h Solomun || 22h Apollonia || 1h Recondite live || 2h Adriatique || 3h30 Agents of Time live || 5h Nastia || 7h Ben Klock

6.ª, 10/8 – 18h Cardia || 21h Gusta-vo || 23h Paula Temple b2b Rebekah || 1h Joseph Capriati || 3h Jeff Mills || 5h Len Faki || 7h Ricardo Villalobos
Sáb., 11/8 – 22h Nuno Di Rosso || 23h30 Serginho b2b Zé Salvador || 1h30 Voiski live || 2h30 Nina Kraviz || 4h30 Paul Ritch live || 5h30 Josh Wink || 7h30 Kink live || 9h Marco Carola

Palco Anti
4.ª, 8/8 – 16h Nuno Carneiro || 18h Diana Oliveira || 20h Freshkitos || 21h30 Magazino || 23h30 Tiago Fragateiro || 1h30 Frank Maurel
5.ª, 9/8 – 16h Terzi || 19h Tiago || 21h Dexter || 23h Dopplereffekt live || 0h Tijana T || 2h Aleksi Perala live || 3h Solar b2b Intergalactic Gary || 5h Mozghan || 7h DJ Nobu
6.ª, 10/8 – 22h Sepypes || 23h30 Ruuar || 1h Anna Haleta || 3h Conforce live || 4h Carlos Souffront || 6h Vrilski live || 7h Zadig b2b Marcelus
Sáb., 11/8 – 23h João Carvalho || 1h Dorisburg live || 2h DJ Lynce b2b Solution || 3h 400PPM live || 4h Lewis Fautzi || 6h Fjaak live || 7h Freddy K || 9h Dax J

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