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Numa corrida regional de Nascar, uma das competições em pista mais populares nos EUA, dois pilotos tocaram-se à entrada de uma curva e um dos carros entrou em despiste, batendo violentamente contra o muro das boxes e incendiando-se de seguida. Mike Jones, assim se chamava o piloto dentro do carro destruído, ficou preso dentro do veículo por não conseguir soltar os cintos de segurança e, com o incêndio a alastrar, uma explosão estava iminente.

O acidente ocorreu na South Boston Speedway, com os espectadores que emolduravam a pista a temer pela vida de Jones. Mas um outro Jones, neste caso Dave, estava decidido a fazer qualquer coisa para evitar um desfecho fatal. Dave é pai de Mike e é também o chefe dos mecânicos do seu carro, com o número 38. Ao aperceber-se que o carro podia explodir a todo o momento e que a equipa de socorro ainda estava a largos segundos de distância, não hesitou. Saltou o muro, soltou o filho e ainda activou o sistema de extintores para atenuar os estragos no veículo e facilitar o combate às labaredas. Tudo isto ainda antes de os bombeiros chegarem ao local.

As bancadas aplaudiram o feito heróico, mas a organização seguiu a letra da lei, que impede qualquer pessoa não autorizada de aceder à pista durante uma prova, ou tentar realizar salvamentos sem que faça parte dos bombeiros ou socorristas de serviço no circuito. Em cima da mesa estava uma multa pesada e a proibição de aceder às pistas e, logo, desempenhar a sua função, mas os responsáveis pela pista de Boston resolveram ser mais brandos do que o habitual. Penalizaram Dave, colocando-o sob pena suspensa até final do ano. Seria difícil ser mais duro com um homem que arriscou a vida, de polo de manga curta, calções e cabeça a descoberto, para retirar o filho (ainda assim equipado com fato de competição ignífugo, luvas, balaclava e capacete) de uns destroços em chamas.

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