No dia em que anunciava mais um recorde de vendas, a Tesla estreou o seu Model 3 em salões europeus, expondo o seu modelo mais vendido no Salão de Paris. De caminho, revelou para quando tem programado iniciar as vendas no Velho Continente e não perdeu a oportunidade de convidar os franceses que encomendaram o veículo para finalmente o ver em “carne e osso” e esclarecer todos os pormenores. Ou quase todos, pois o preço europeu continua no segredo dos deuses, uma vez que se desconhece ainda a que tipo de impostos vai estar sujeito, devido à guerra comercial com que Trump decidiu ameaçar a Europa.

Virgem em certames do lado de cá do Atlântico, a Tesla deslocou à Europa a sua gama já conhecida, ou seja, os Model S e X, além de duas unidades do Model 3, com destaque para uma versão Performance, com Dual Motor e bateria Long Range (com cerca de 75 kWh, apesar do fabricante a não revelar a capacidade exacta). Presente estava também a versão mais acessível do momento, com apenas um motor, tracção traseira e igualmente com a bateria de maior capacidade, uma vez que a versão Standard (cerca de 50 kWh) só começará a ser fabricada em 2019. Veja aqui o convite que a marca endereçou aos clientes franceses:

Estofos em pele de série e pronto para Autopilot

A versão europeia do Model 3 vai ser similar à que já está à venda nos EUA e Canadá, os primeiros mercados a receber o modelo. Isto significa que o veículo com 4,69 metros de comprimento, o que o coloca no segmento D, como rival dos Audi A4, BMW Série 3 e Mercedes Classe C, vai oferecer de série bancos revestidos a pele, material que também cobre o tablier, painéis de portas, consola e apoios de braços.

A madeira que embeleza o tablier faz também parte do equipamento de origem, independentemente da versão, tal como as câmaras frontais e laterais, além de todos os diferentes sensores que tornam o Model 3 preparado para, antes ou depois da aquisição, passar a usufruir de Autopilot.

Os pilares interiores do tejadilho surgem forrados a tecido, como é habitual no segmento, apesar de existirem alguns materiais menos bons a bordo, como o que envolve a regulação em altura dos cintos de segurança frontais, cujo plástico é menos digno. Curiosamente, esta inclusão no equipamento de série dos revestimentos dos bancos a pele e a presença da madeira no tablier, que nos foi confirmada por um porta-voz da marca, contraria o site da Tesla em Português, que sugere que este mesmo equipamento faz parte do pack premium e logo com um custo extra, o que, segundo nos informaram, já não corresponde à realidade.

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O grande ecrã de 15 polegadas em posição horizontal – ao contrário dos Model S e X – que ocupa o centro do tablier, integra o equipamento de série em todas as versões, sem o qual não é possível controlar todas as funções do veículo, nem as necessárias para o condutor, uma vez que o interior “clean” e minimalista fez desaparecer o painel de instrumentos, deslocando para o display central dados como a velocidade. Ao contrário de muitos rivais, o Model 3 traz de série sistema de navegação com mapas da Google, internet e hotspot de wifi, ligação ao telemóvel e todas as aplicações que a Tesla oferece, inclusivamente as actualizações que realiza regularmente “over the air”.

Porquê mais caro do que nos EUA?

Na Europa vão ser disponibilizadas as mesmas versões que existem no mercado americano, uma vez que a diferença entre os modelos de ambos os lados do Atlântico resumem-se ao sistema de carga e ao tipo de ficha utilizada, como aliás já acontece com os Model S e X. Sucede que, actualmente, os automóveis americanos com destino à Europa pagam 10% de imposto – isto enquanto o mesmo tipo de veículo, em sentido inverso, paga apenas 2,5% à entrada dos EUA (e daí a ‘raiva’ de Trump) –, o que significa que o Model 3, no mínimo, será 10% mais caro entre nós.

A explicação para o preço mais elevado dos Tesla tem de ser procurada nos custos acessórios, como o transporte e, especialmente, o IVA, pois o preço anunciado para os americanos tem de lidar posteriormente apenas com uma alcavala média de  5,75%, correspondente a uma espécie de IVA local, valor que nos EUA varia entre 3% e 8%, consoante os estados. Em Portugal, os nossos 23% incluídos à partida no preço final têm o condão de fazer disparar o preço.

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Mas se analisarmos os valores declarados para o mesmo modelo, proposto em Portugal, França e Alemanha, por exemplo, é fácil constatar que o preço no nosso país é pelo menos 30% superior ao praticado no mercado americano, enquanto que, por exemplo em França, supera em pouco os 20%, sendo ainda mais reduzido na Alemanha. Estes valores são bastante mais razoáveis, e difíceis de justificar, especialmente sabendo que o IVA é superior em Portugal (23%), mas apenas 3% em relação à França (20%) e 4% à Alemanha (19%). Isto leva-nos a concluir que é necessária alguma uniformização dos valores exigidos pelo construtor americano por essa Europa fora.

Muito provavelmente no segundo trimestre de 2019, o Model 3 começará a ser entregue aos clientes na Europa, incluindo Portugal, sendo que de início, a versão mais acessível será a Long Range (75 kWh) com tracção atrás, motor de 261 cv, velocidade máxima de 209 km/h e capaz de atingir ao 100 km/h em apenas 5,6 segundos (à venda nos EUA por 49.000$, ou seja 42.500€). Isto enquanto não chega o mesmo modelo com bateria Standard, 120 kg mais leve (1.610 kg) e com uma autonomia de 350 km (segundo o sistema EPA americano, ainda mais próximo da realidade do que o novo europeu WLTP), em vez dos 500 km da versão com a bateria maior, comercializado no mercado de origem por 35.000 (30.500€).

Com mais potência surgirá o Long Range Dual Motor, com tracção 4×4 e um total de 300 cv, sendo capaz de atingir 225 km/h e os 100 km/h em 4,9 segundos, proposto por 55.000 (47.800€) do lado de lá do oceano. A versão mais desportiva, a Performance, que será também o topo de gama entre nós, extrai 456 cv dos seus dois motores, passando pelos 100 km/h em 3,8 segundos, para depois continuar alegremente até aos 250 km/h. Está venda por 64.000$ no mercado de origem, ou seja, cerca de 55.700€.