Tecnologia

Singularity University vai abrir pólo em Portugal. “A tecnologia é a força mais importante do mundo”

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A Beta-i, Câmara Municipal de Cascais e a Nova School of Business and Economics fecharam um acordo de longo prazo com a Singularity University. Programas arrancam em 2019.

O SingularityU Portugal Summit decorre esta segunda e terça-feira no novo polo da Nova School of Business and Economics

Ricardo Gomes

Os cursos da Singularity University vão estar disponíveis em Portugal a partir de 2019. A Beta-i, a Câmara Municipal de Cascais e a Nova School of Business and Economics uniram-se para fundar a SingularityU Portugal. O acordo de longo prazo faz de Portugal o quarto país parceiro (depois da SingularityU Nordics, SingularityU Netherlands e SingularityU Canada) da comunidade que tem como objetivo educar, inspirar e capacitar líderes que apliquem tecnologia para resolver os grandes desafios da humanidade.

Em Portugal, o que sabemos é que há uma nova e interessante comunidade de startups em indústrias muito específicas e que tem interessantes competências de tecnologia. É uma comunidade muito única, que se diferencia de outras áreas na União Europeia”, diz ao Observador Rob Nail, CEO da Singularity University. “Uma das premissas principais das tecnologias exponenciais é reconhecer que estas tecnologias rapidamente são democratizadas, ou seja, que o próximo brilhante líder, pensador ou empreendedor ou a próxima grande mudança pode acontecer em qualquer lado, não está limitada a Silicon Valley”, acrescentou.

Em Portugal, a SingularityU vai juntar grandes empresas, empreendedores e futuros inovadores para criarem novas oportunidades de inovação e desenvolvimento em Portugal e no mundo. A partir de 2019, vão estar disponíveis Programas Customizados para empresas e executivos de diversas áreas da tecnologia, que duram um, dois ou três dias, e que são desenhados para ir ao encontro das necessidades específicas das empresas. Também vai estar disponível o Programa Executivo imersivo, com especialistas de todo o mundo.

O público-alvo dos programas da SingularityU são líderes de grandes organizações, entidades governamentais, organizações sem fins lucrativos, cientistas, educadores, empreendedores e outros líderes que pretendam moldar o futuro. Como? Através de tecnologias exponenciais e emergentes que como a inteligência artificial, robótica e biologia digital.

“Muitas vezes, o que procuramos são pessoas que estão muito ativas e que vão pegar ativamente no que aprenderam e fazer alguma coisa com isso. Procuramos startups e empreendedores que podemos ajudar, pegar nas suas ideias e levá-las a outro nível. Ao mesmo tempo, queremos que os executivos de grandes empresas possam guiar a estratégia da organização e a liderança para novas direções, mas também os líderes políticos que precisam de perceber para onde a tecnologia está a ir, para que possam tomar melhores decisões políticas”, disse Rob Nail.

Ricardo Marvão, cofundador da Beta-i e diretor executivo da SingularityU Portugal, acrescenta que enquanto as startups portuguesas  já se encontram e estão a aplicar tecnologias de ponta em certas áreas de negócio, para competirem a uma escala global, as empresas mais tradicionais dos setores da indústria e serviços ainda estão a enfrentar vários desafios para conseguirem acompanhar o rápido ritmo de crescimento da tecnologia e inovação.

Ao trazermos a Singularity University para Portugal, pretendemos dar acesso à educação e às ferramentas necessárias para que líderes, empresários e colaboradores possam estar constantemente atualizados sobre as novas oportunidades tecnológicas e as posicionem na vanguarda da inovação dentro das suas áreas”, afirmou, em comunicado.

“A maioria dos investidores em Portugal investe nos setores tradicionais”

A Singularity University foi fundada em 2008, pelos inovadores Ray Kurzweil e Peter H. Diamandis, com financiamento de organizações como a Google, Kauffman Foundation e UNICEF. Está sediada na NASA Research Park, em Silicon Valley, nos Estados Unidos.

“Estamos a celebrar o décimo aniversário e percorremos um longo caminho, aprendemos imenso e inspirámos o ecossistema global a pensar de forma diferente sobre a tecnologia e o futuro. Quisemos interagir com novas formas de parcerias, startups e com aquilo a que chamamos de iniciativas de impacto, que pensamos que são muito importantes. Isso é uma preocupação que vem da fundação original da universidade. Descobrimos que nos dias de hoje a tecnologia é a força mais importante do mundo, a tecnologia e a nossa relação com a tecnologia“, disse Rob Nail ao Observador.

O fundador da Singularity University explica que uma das peças críticas para que a mudança aconteça é a construção de um ecossistema que suporte a rede da comunidade. Esta segunda e terça-feira, decorre na Nova School of Business and Economics o primeiro SingularityU Summit, uma cimeira para abordar alguns dos maiores desafios globais e o recurso à tecnologia. Esta cimeira já passou por 21 países e é a primeira vez que decorre em Portugal.

 “O que estamos à procura é de ter uma rede global, com parceiros globais à volta do mundo. Queremos que cada um destes parceiros construa parcerias com as comunidades de startups locais, com as empresas, indústria, governo, legisladores, outras instituições académicas e comunidades de investidores. Se conseguires trazer estes grupos tão diferentes e juntá-los, inspirá-los com a possibilidade da tecnologia e apontas para um horizonte de longo prazo. Queremos potenciar os nossos parceiros locais a construirem o seu ecossistema local”, explicou o responsável.

A comunidade global da Singularity tem 200 mil membros, cerca de 40 mil alunos de 127 países, mais de mil mentores e há 58 empresas do portefólio da universidade que levantaram 312 milhões de dólares de investimento. “Construímos parcerias fortes nas regiões onde temos ligações fortes, com o objetivo partilhado de desenhar o futuro e depois confiamos nos nossos parceiros, que ajudem a identificar os membros, as startups que podemos potenciar e nas quais podemos investir. E depois podemos trazê-los para a nossa escala global e ajudamo-los a movimentarem-se mais rápido e a escalarem”, acrescentou.

O que falta em Portugal? “O conceito de investimento em empresas que tenham um impacto social, que sejam capazes de olhar para um problema grave local ou global e encontrar investimento para este tipo de projetos. Vemos isto em Portugal, a maioria dos investidores em projetos que estão mesmo no início, costumam investir no setor tradicional das tecnologias de informação, que é mais seguro e mais conhecido. É um bocadinho mais difícil encontrar investidores que estejam dispostos a apoiar projetos que queiram mudar o mundo e nós queremos apoiar este tipo de projetos, porque acreditamos que também vão ter retorno financeiro e impacto no mundo. Achamos que vão ter as duas coisas”, afirmou.

A Singularity University vai arrancar no próximo ano, em Cascais. Rob Nail está confiante: “Estou muito confiante de que algo muito entusiasmante vai acontecer em Portugal e não tenho ideia do que vai ser. Tenho algumas esperanças e desejos, mas não sei o que vai ser”, concluiu.

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