Eleições Europeias

Marisa Matias: “O Bloco não é um partido populista”

2.042

A eurodeputada e cabeça de lista do partido às eleições europeias fala em "facilitismos" no debate eleitoral e rejeita a etiqueta de populista. Para maio, prevê a "implosão do bloco central".

Marisa Matias, cabeça de lista do BE às eleições europeias

MÁRIO CRUZ/LUSA

Marisa Matias, cabeça de lista bloquista às eleições europeias, rejeita que o BE seja um partido populista e acredita que a recomposição do Parlamento Europeu vai passar pelo crescimento das “forças progressistas” e “a implosão do bloco central”. “Eu compreendo que, quando o debate eleitoral aquece, se entra em facilitismos dessa natureza e se chama populismo ao que não é. O Bloco não é um partido populista”, assegura Marisa Matias em entrevista à agência Lusa.

Candidata a um terceiro mandato no Parlamento Europeu (PE), admite que as eleições do dia 26 de maio vão traduzir-se numa maior fragmentação do hemiciclo de Estrasburgo, com “forças partidárias ou grupos parlamentares mais iguais entre si em termos de dimensão”, ao contrário do atual, em que “dois grupos parlamentares [centro-esquerda e centro-direita] podiam fazer a maioria”, juntando-se num bloco central.

A eurodeputada destaca que há “uma transformação profunda” na política europeia cuja “dimensão e alcance é difícil de prever”, mas acredita que “há margem para um crescimento e um reforço significativo das forças políticas progressistas europeias”, constituídas por partidos de esquerda e partidos associados ao grupo parlamentar dos Verdes.

Forças políticas que, frisa, “têm uma agenda que é de confrontação e distinção total em relação à extrema-direita, que na realidade não propõe nada de novo em termos de política económica e que contribui muito para a desintegração do espaço europeu”.

Marisa Matias acredita que a extrema-direita vai aumentar a sua representação no PE, porque “lhes foram sendo abertas portas” por partidos tradicionais “que foram deixando entrar a agenda da extrema-direita” no seu discurso. Contudo, espera que esta “não cresça o suficiente” e seja possível “fazer alianças democráticas para impedir que essas políticas vinguem”.

Antevê, por outro lado, “uma implosão do bloco central” e frisa: “Isso não é uma previsão, é uma constatação daquilo que está a ser a trajetória” de pesadas derrotas eleitorais dos partidos sociais-democratas em França, na Alemanha, na Itália, na Holanda, nos países nórdicos ou até em Espanha, que “já não é um sistema bipartidário”.

Para Marisa Matias, “a social-democracia colapsa porque cedeu à economia de mercado, cedeu ao ideal do neoliberalismo e deixou fugir a defesa do Estado social das suas mãos”. “Prova-se, portanto, que a manutenção de políticas claras e de reais opções políticas para a vida das pessoas tendem a favorecer mais as forças políticas honestas consigo próprias, com o seu programa, com a sua história, do que tentar vender um ideário que não faz outra coisa a não ser destruir um projeto comum”, argumenta.

A Europa está “no meio de um turbilhão, de uma tempestade”, “um momento muito difícil de desintegração”, o que pode explicar porque vários dos partidos portugueses apostaram na continuidade dos eurodeputados que os representam, como é caso do BE.

“Neste momento a experiência pode contar. Não é apenas a necessidade de renovação, que existe sempre, mas é um momento muito particular, em que aos fatores de desintegração relacionados com a política económica se juntam outros que advêm precisamente de uma agenda que está nos antípodas de uma Europa solidária ou que sequer possa almejar algum sentido de coesão e de defesa dos direitos mais fundamentais”, explica.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Governo

Cogitações sobre a remodelação /premium

Maria João Marques

Costa promoveu pessoas com pouquíssima experiência profissional fora da vida política. É dos piores indicadores para qualquer político. Viver sempre na bolha dos partidos é péssimo cartão de visita.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)