A gigante de telecomunicações chinesa Huawei, várias subsidiárias e a sua chief financial officer foram formalmente acusadas esta segunda-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América de vender segredos comerciais, fraude bancária e obstrução à justiça, escrevem diferentes meios internacionais, incluindo o norte-americano New York Times e o britânico The Guardian.

Matthew Whitaker, o procurador que acompanha o caso, disse que dois tribunais norte-americanos, em Seattle e em Nova Iorque, imputam à Huawei e às suas filiais a alegada prática de 23 crimes. A gigante chinesa é acusada de roubar tecnologia à T-Mobile, empresa alemã de telefones móveis, para construir smartphones.

Whitaker disse ainda numa conferência de imprensa, citado pelo The Guardian, que a Huawei obstruiu as investigações ao destruir provas e ao promover o regresso à China de potenciais testemunhas. “A atividade criminal nesta acusação remonta há dez anos e vai até ao topo da empresa”, afirmou. O diretor do FBI, Christopher A. Wray, também ele presente na respetiva conferência de imprensa, acrescentou que empresas como a Huawei representam “uma dupla ameaça tanto para a nossa economia, como para a segurança nacional”.

Tanto a empresa como a sua diretora financeira, Meng Wanzhou, são acusadas de fraude contra um banco para contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irão. Meng Wanzhou, de 46 anos, filha do fundador da empresa, foi detida no Canadá no passado dia 1 de dezembro a pedido dos EUA. Wanzhou permanece detida desde então em Vancouver e as autoridades norte-americanas têm até ao dia 30 de janeiro para requerer formalmente a extradição para território americano.

Estas acusações, conhecidas esta segunda-feira, podem aumentar a tensão entre a China e os EUA, as duas maiores economias do mundo.