Rádio Observador

Lisboa

Movimento contra vedação do miradouro de Santa Catarina em Lisboa promete continuar luta

322

A requalificação do miradouro conhecido por Adamastor, pela estátua da figura mitológica que se encontra naquele jardim, foi aprovada pelo executivo, com uma vedação "passível de ser transitória".

MARIO CRUZ/LUSA

Autor
  • Agência Lusa
Mais sobre

O movimento “Libertem o Adamastor” prometeu esta sexta-feira continuar a trabalhar para que o miradouro de Santa Catarina continue a ser um “balcão aberto sobre o mundo”, recusando a vedação hoje aprovada pelo executivo municipal.

“Vamos continuar a trabalhar até que o Adamastor volte a ser aquilo que é há décadas: um balcão aberto sobre o mundo, para todos os que têm e querem mais mundo do que aquele que o medo, a prepotência e o cinismo pretendem impor”, lê-se num comunicado do movimento distribuído na reunião pública extraordinária do executivo municipal.

A requalificação do miradouro conhecido por Adamastor, pela estátua daquela figura mitológica que se encontra naquele jardim, foi aprovada pelo executivo, com uma vedação “passível de ser transitória”, definindo-se “a avaliação pela Câmara num prazo de um ano da conclusão das obras”.

Elementos do movimento “Libertem o Adamastor”, que se afirma “espontâneo e apartidário”, estiveram presentes na reunião e pretendiam intervir, mas tratava-se de uma reunião extraordinária sem período reservado à intervenção do público.

O vereador do PSD João Pedro Costa levantou a questão, considerando que, sem intervenção do público, a reunião só seria “meio pública”, mas o presidente, Fernando Medina (PS), esclareceu que o período reservado aos munícipes nas reuniões ordinárias públicas destina-se a que possam pronunciar-se sobre os assuntos que entendam, não intervindo os cidadãos sobre propostas concretas que estão em discussão.

No comunicado que distribuíram, os ativistas, que recusam o gradeamento do miradouro e o seu encerramento noturno, consideram que o projeto de requalificação “promove o elitismo e a higiene social”. Na reunião de apresentação pública do projeto, que decorreu em fevereiro no Liceu Passos Manuel, a audiência mostrou-se dividida sobre a colocação da vedação, que já motivou petições contraditórias.

Os moradores queixaram-se de um clima generalizado de ruído, insegurança e tráfico de droga, pedindo o gradeamento do local, que foi recusando nessa sessão por outros moradores e frequentadores, alegando que pressupõe uma “privatização do espaço público”.

A proposta aprovada esta sexta-feira em Câmara, apresentada pelo presidente, Fernando Medina (PS), incorpora ideias do parecer da Junta de Freguesia da Misericórdia, que já aprovou o projeto, pedindo “ao Ministério da Administração Interna o reforço do policiamento”, bem como videovigilância, reforço da iluminação pública e a passagem da gestão da concessão do quiosque existente para a Junta.

Fernando Medina (PS) acrescentou à proposta que levou à reunião pública extraordinária do executivo municipal que a vedação ao miradouro seja uma solução “passível de ser transitória, pelo que se define a avaliação pela Câmara num prazo de um ano da conclusão das obras”. O projeto de requalificação, que inclui a vedação, foi aprovado com os votos contra do BE e do PCP, tendo os vereadores do PSD votado de forma diferente – Teresa Leal Coelho não estava presente no momento da votação, mas declarou previamente estar contra a barreira, e o vereador João Pedro Costa absteve-se, enquanto o CDS-PP e o PS votaram a favor.

Na reunião do executivo municipal foram ainda rejeitadas propostas do PCP e do BE que recusavam a solução de uma vedação em torno do miradouro para o seu encerramento noturno. Fernando Medina incluiu ainda na sua proposta que a limitação horária do miradouro seja “fixada, por referência, entre as 07:00 e as 23:00, sendo adequada pela Câmara por pedido da Junta de Freguesia da Misericórdia”, sendo o exercício dessa limitação horária uma competência exclusiva daquela junta, “não podendo ser exercida por qualquer outra entidade que não seja pública”.

O projeto, elaborado pelo ateliê de arquitetura Proap, prevê uma “intervenção no talude do jardim, recuperando o espaço verde com plantação de arbustos, a intervenção ao nível da zona de estadia, que será aumentada com a colocação de blocos de pedra lioz, que conferem ao miradouro a aparência de um anfiteatro sobre a cidade”, expõe Medina na proposta.

Além da colocação de uma vedação à volta do jardim, “para impedir o acesso e evitar a sua degradação”, “o projeto contempla a instalação de um novo sistema de rega, que passará a ser gota a gota, assim como a colocação de novo mobiliário urbano”. Esse mobiliário vai incluir cadeiras semelhantes às existentes na praça da Batalha, no Porto, numa homenagem ao arquiteto Adalberto Dias, que as concebeu, e que ficou em segundo lugar no concurso para o miradouro de Santa Catarina, conforme foi divulgado na sessão pública pelo arquiteto responsável, João Nunes.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)