Apito final, festa desmedida dos jogadores de Gales que tinha começado um pouco antes quando foi assinalada uma falta no ataque de França, desilusão total entre os elementos gauleses. Depois de duas vitórias confortáveis de Inglaterra e Nova Zelândia nos quartos, a terceira seleção a chegar às meias do Mundial de râguebi saiu de um jogo equilibrado a decidido por apenas um ponto. Mais felizes ou mais tristes, todos se mexiam. Todos andavam, todos passavam. No meio deste cenário, Sébastien Vahaamahina permanecia sentado no banco, de mãos na cabeça, a olhar em frente para o vazio. E assim ficou durante largos momentos.

França aparecia como outsider no encontro com Gales mas não podia ter começado melhor, conseguindo logo um ensaio (sem conversão) com apenas cinco minutos de jogo por Vahaamahina antes de Charles Ollivon, com os dois pontos adicionais convertidos de Romain Ntamack, fixar o resultado em 12-0 ainda dentro dos dez minutos iniciais. Um ensaio com conversão de Aaaron Wainwright e uma penalidade de Dan Biggar reduziram pouco depois a desvantagem para apenas dois pontos mas os franceses estavam bem melhor no jogo, fizeram um terceiro ensaio por Virimi Vakatawa (31′), tiveram mais uma penalidade enviada por Ntamack ao poste e viram mais um ensaio ser anulado por uma infração no início da jogada. De Gales, pouco ou nada.

Os galeses, que tinham ganho à Austrália para vencerem o grupo na fase inicial do Mundial, estavam a ter um jogo para esquecer e, como se não bastasse, a França conseguia mostrar a sua melhor face para voltar às meias da principal competição da modalidade, numa tendência que nem o intervalo conseguiu contrariar. Depois, tudo mudou. E uma cotovelada acabou por fazer toda a diferença na frustração dos gauleses.

De uma forma completamente desnecessária e num lance que já tinha “acabado”, Vahaamahina atingiu com o cotovelo na cara Aaron Wainwright e acabou por cair nas malhas do VAR. Em dose dupla até: por causa dessa mesma jogada, o francês viu amarelo por ter feito uma placagem ao pescoço e o vermelho pela cotovelada no seguimento. O jogador ouviu as explicações, baixou o olhar, virou-se para os companheiros, pediu desculpa com a mão e saiu de campo com as mãos na cabeça, quase que antecipando aquilo que poderia acontecer.

Desde 2011 que não havia um vermelho na fase a eliminar do Mundial, com a curiosidade de ter sido um jogador galês (Sam Warburton) a ser excluído na meia-final com a França e de também aí esse momento se transformar na chave do resultado: mesmo sem registar grandes melhorias na qualidade de jogo, Gales, que marcara uma penalidade aos 54′, chegou ao ensaio a seis minutos do final por Ross Moriarty e passou para a frente com a conversão de Dan Biggar (20-19), esperando agora o vencedor do Japão-África do Sul para saber o adversário nas meias. E tudo num jogo onde a França, reduzida a 14 na última meia hora, conseguiu na mesma terminar com mais posse (52%-48%), mais domínio territorial (56%-44%) e mais metros percorridos (481-324).

Em paralelo, e se Gales chega pela segunda vez na história às meias-finais do Mundial, a França viu gorada a possibilidade de entrar nas quatro melhores equipas, algo que falhou em 2015 depois de cinco presenças seguidas nessa fase da competição incluindo as finais de 1999 (Austrália) e 2011 (Nova Zelândia).