Era um duelo de campeões: de um lado, o campeão europeu Sporting; do outro, o campeão nacional FC Porto. E um duelo que já se tinha registado esta temporada na final da Taça Continental, a reedição do último encontro decisivo da Liga Europeia e que voltou a cair para os leões no Pavilhão João Rocha. Conhecimento não falta entre dois dos melhores conjuntos europeus do hóquei em patins, esta época com mudanças nas respetivas estruturas (e com a saída de Hélder Nunes a ter mais peso nos dragões do que a de Henrique Magalhães nos leões, por exemplo) mas com uma boa adaptação das caras novas – em especial Di Benedetto e João Souto. Por tudo isso, e seguindo um chavão típico dos treinadores, o clássico seria decidido nos detalhes. Como foi.

Após um início equilibrado, os dois golos de rajada do conjunto de Paulo Freitas a meio da primeira parte acabou por fazer toda a diferença no resto do encontro, que terminou com a vitória do Sporting por 3-0 frente a um FC Porto que acertou quatro vezes nos ferros e nunca alcançou aquele golo que pudesse inverter o rumo do que se estava a passar no clássico, ficando assim a cinco pontos dos líderes Benfica (que venceu em Viana a Juventude por 3-1 esta ronda) e Sporting à quarta jornada, havendo ainda Oliveirense e Óquei de Barcelos pelo meio.

Logo no segundo minuto, Girão foi gigante em duas ocasiões numa grande jogada de Reinaldo Garcia antes de um dos momentos que marcariam o encontro: num lance onde Pedro Gil chocou contra Di Benedetto quando rolava com a cabeça mais em baixo, o espanhol ficou a queixar-se muito no rinque da zona da cervical e teve mesmo de sair de maca do Pavilhão João Rocha, seguindo de emergência para uma unidade hospitalar para realizar uma série de baterias que, nas primeiras indicações, indiciavam que tudo não teria passado de um susto (e Pedro Gil, que jogou vários anos no Dragão antes de rumar a Itália e chegar a Alvalade, não se costuma queixar do nada).

Após a paragem de alguns minutos, o jogo retomado com muita pontaria de ambos os lados mas aos postes: João Souto, isolado após um erro de Gonçalo Alves, tentou ludibriar Xavi Malián mas o desvio do guarda-redes espanhol levou a bola a bater na trave (4′); Gonçalo Alves, em duas ocasiões (na primeira ainda com intervenção de Girão), também acertou nos ferros em duas ocasiões em menos de cinco minutos (6′ e 10′). O encontro estava mais aberto do que se pensava e com mais transições do que é habitual tendo em conta as atenções defensivas que ambas as equipas costumam ter nos clássicos mas golos, nada. E quando surgiu, foi mesmo em dose dupla.

Após uma grande jogada de envolvimento com assistência final de Matías Platero, Toni Pérez, sozinho na área, fez o 1-0 com um toque subtil que picou a bola por cima de Malián (12′); logo no minuto seguinte, o mesmo Platero, pressionado por Cocco, conduziu sempre com uma só mão até ao remate ao ângulo sem hipóteses para o guardião espanhol (13′). Num ápice, e quando Guillem Cabestany se preparava para pedir um desconto de tempo, o Sporting passava para a frente e com dois golos de vantagem, que conseguiu preservar até ao intervalo.

No arranque do segundo tempo, as duas equipas tiveram oportunidades claras para chegarem ao golo mas nem Ferrant Font (grande defesa de Malián), nem Giulio Cocco (poste) conseguiram transformar livres diretos no mesmo minuto (30′), num momento que acabou por marcar o crescimento do FC Porto na partida até pelas linhas defensivas mais subidas. No entanto, a pontaria continuava afinada sobretudo aos postes, como aconteceu com Di Benedetto pouco depois numa jogada que passou também pelo stick de Gonçalo Alves.

Os dragões arriscavam na tentativa de recuperar de forma rápida a bola mas deixavam também espaços para as transições rápidas e foi num desses lances que, após combinar com Toni Pérez, Alessandro Verona foi derrubado por Sergi Miras: o espanhol que já passou também pelos leões viu cartão azul, Ferrant Font foi chamado para a conversão do livre direto e aumentou para 3-0 (36′). O FC Porto tentava ainda reentrar no jogo mas iria de novo falhar no momento chave a oito minutos do final quando Gonçalo Alves falhou um livre direto e houve uma chuva de cartões azuis, entre Ferrant Font, Giulio Cocco e Gonzalo Romero – o que, pela contagem errada da mesa, obrigou a voltas atrás no jogo mas sem sanção disciplinar para o Sporting por ter entrado um jogador mais cedo.