A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou esta quinta-feira que não compartilha a visão “radical” do Presidente francês, Emmanuel Macron, que considera que a NATO está em “morte cerebral”.

“Não penso que seja necessário um julgamento tão intempestivo, mesmo que tenhamos problemas, mesmo que tenhamos que nos recompor”, acrescentou a chanceler alemã numa conferência de imprensa em Berlim com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

Emmanuel Macron “usou termos radicais”, que Merkel afirma não serem o seu ponto de vista sobre a cooperação com a organização.

“A NATO é indispensável, devemos ter nas nossas mãos o nosso destino na Europa, mas acho que a NATO tem progredido e tem um trabalho muito mais político do que há anos”, concluiu a chefe do Governo alemão.

Stoltenberg, por seu lado, considerou que a NATO permaneceu “forte”, salientando que os Estados Unidos e a Europa “trabalharam juntos mais do que há décadas”.

Numa entrevista publicada esta quinta-feira pela revista britânica The Economist, o chefe de Estado francês alertou que a NATO está em “morte cerebral” devido ao afastamento dos EUA e ao comportamento da Turquia na Síria, membro da aliança atlântica.

Macron defendeu ser fundamental “clarificar os objetivos estratégicos da NATO”, referindo a necessidade de “muscular a defesa da Europa”.

Os líderes da organização, criada em 1949 para promover a defesa mútua contra um ataque por qualquer entidade externa à aliança, vão reunir-se em Londres no início de dezembro.

O Presidente francês questiona ainda o futuro do artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte, que prevê a solidariedade militar entre os membros da NATO se um deles for atacado.

Angela Merkel também reiterou durante a conferência de imprensa com Stoltenberg o compromisso alemão de alcançar a meta de 1,5% em gastos militares até 2024, pronunciando-se a favor de atingir os 2% em 2032.

“Aumentámos o nosso gasto militar de forma significativa e atualmente estamos a negociar os orçamentos do próximo ano”, disse Merkel, acrescentando que atingir os 2% em gastos militares é a “obrigação” do Governo alemão.

A chanceler alemã descreveu esse objetivo como uma “iniciativa realista, mas ambiciosa”.