A relação entre os líderes norte-americano e da Coreia do Norte, um ano e meio depois de um acordo para trabalharem para a desnuclearização da península coreana, está cada vez mais tremida. Dias depois de Kim Jong-un prometer um presente de Natal aos Estados Unidos, sem dizer qual, foi anunciado um teste nuclear sem grandes pormenores. Donald Trump reagiu este domingo através da rede social que privilegia nas suas mensagens políticas, o Twitter, noticia o The Guardian.

“Kim Jong-un é esperto demais e tem muito a perder se agir de forma hostil, tudo na verdade. Ele assinou um acordo de desnuclearização comigo em Singapura. Não vai querer acabar com o seu relacionamento especial com o Presidente dos Estados Unidos”, escreveu Trump este domingo, referindo-se ao acordo histórico com Kim em junho de 2018.

A publicação foi feita depois de alguns jornais darem conta de um possível teste nuclear na Estação de Lançamento de Satélite Sohae. A Coreia do Norte anunciou mesmo, horas antes da publicação de Trump, ter realizado um “teste muito importante” no local de lançamento de mísseis de longo alcance, defendendo que terá um efeito fundamental na futura posição estratégica do país.

A Agência Central de Notícias da Coreia avançou que o teste foi realizado na tarde de sábado. Os resultados dos testes terão “um efeito importante na mudança da posição estratégica (…), mais uma vez num futuro próximo”, sublinhou a agência. A informação não continha qualquer detalhe sobre a natureza do teste, mas para todos os efeitos os analistas políticos falam já em diplomacia ferida e num fechar de porta por parte da Coreia do Norte.

À CBS o conselheiro para a segurança dos Estados Unidos, Robert O’Brien, disse mesmo que estes testes “seriam um erro”. “Se a Coreia da Norte for por um caminho diferente do que prometeu, então temos uma série de ferramentas”, disse.

Na cimeira de junho de 2018, Trump e Kim acordaram trabalhar para a desnuclearização da península coreana e para pôr um fim formal à guerra entre as duas Coreias. O conflito entre Norte e Sul, que durou de 1950 a 1953, terminou com a assinatura de um armistício mas sem um acordo de paz. Os dois líderes acordaram, no entanto, trabalhar para a desnuclearização da península coreana e para pôr um fim formal à guerra entre as duas Coreias.

No entanto, nos últimos meses, as conversas entre os dois países parecem estar a ruir, com a Coreia do Norte a conduzir vários testes de mísseis de menor alcance. Dias antes do último teste, aliás. Ri Thae Song, primeiro vice-ministro do Ministério dos Negócios Estrangeiros da da Coreia do Norte, acusou mesmo os Estados Unidos de usarem as negociações com Kim Jong Un como alavanca política interna. “O diálogo promovido pelos EUA é, em essência, apenas um truque tolo para manter a RPDC [República Popular Democrática da Coreia]  ligada ao diálogo e usá-lo em favor da situação política e da eleição nos EUA”, disse. “Depende inteiramente dos EUA que presente de Natal escolherá”, acrescentou, citado pela CNN.

Numa segunda publicação, ainda no domingo, Donald Trump refere-se também às eleições presidenciais dos Estados Unidos lembrando que “a Coreia do Norte, sob a liderança de Kim Jong Un, tem um tremendo potencial económico, mas deve desnuclearizar conforme prometido”, escreveu. “A NATO, China, Rússia, Japão e o mundo inteiro estão unidos nesta questão!”, prosseguiu.