Os cientistas descobriram em Herculano, uma cidade vizinha da italiana Pompeia, o cadáver de um homem cujo cérebro se transformou em vidro aquando da erupção do vulcão no Monte Vesúvio em 79 a.C.. O homem tinha 25 anos e estava deitado numa cama de madeira quando foi enterrado pelas cinzas do vulcão. As temperaturas eram tão altas no quarto que o tecido cerebral vitrificou.

É a primeira vez que se encontram restos cerebrais que tenham passado por esse processo, refere o resumo do estudo publicado esta quarta-feira no New England Journal of Medicine. Noutras observações, os cérebros entraram num processo de saponificação em que os triglicerídeos, um tipo de gordura que existe no sangue, foram transformados em glicerol e sais ácidos gordurosos. Os cérebros ficaram como sabão.

De acordo com a reconstituição destes cientistas, este homem estava a dormir de barriga para baixo numa cama no Collegium Augustalium, um local de culto ao imperador Augusto, e devia ser o caseiro. Após a erupção do Vesúvio, as temperaturas no interior do quarto devem ter subido aos 520ºC, incendiando gorduras corporais do homem e evaporando os tecidos moles.

Uma sala de culto ao imperador Augusto em Herculano. Créditos: Marco Cantile/LightRocket via Getty Images

O homem teve morte imediata quando foi atingido por gases e piroclastos — fragmentos rochosos cuspidos pelo vulcão — a altas temperaturas. No entanto, a temperatura baixou rapidamente. Essa variação fez com que o crânio do homem explodisse, mas parte do cérebro e dos outros ossos se transformassem em vidro negro.

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Os pulmões também colapsaram, mas os cientistas encontraram resíduos deles à volta dos ossos no pescoço do homem. Na verdade, as análises ao corpo do homem demonstraram que os órgãos internos pareciam transformados em gelatina e que os ossos estavam completamente despedaçados.

À parte da vitrificação do cérebro — que nunca tinha sido observado nem nas escavações arqueológicos em Herculano e Pompeia, nem em qualquer outro local do mundo —, as características que os cientistas encontraram neste cadáver já tinham sido detetadas nos incêndios provocados pelos bombardeamentos em Dresden e Hamburgo durante a II Guerra Mundial.