O ministro de Estado e da Economia advertiu esta quarta-feira que as regras que orientam a economia e a sociedade tradicional vão de ter de mudar em função das mudanças que serão operadas pelo digital e pela automação.

Esta mensagem foi transmitida por Pedro Siza Vieira na intervenção de abertura do segundo e último dia de Jornadas Parlamentares do PS, em Setúbal, durante a qual falou sobre as consequências da digitalização e da automação em relação ao mercado de trabalho. Perante os deputados socialistas, o ministro de Estado e da Economia defendeu a tese de que os desafios que Portugal enfrenta ao nível da transição digital e da automação “vão exigir recursos muito avultados”.

“Precisamos de alinhar os instrumentos financeiros nacionais, os recursos orçamentais e as verbas que nos vão chegar do próximo quadro comunitário de apoio, à volta desses desafios. Várias áreas governativas, desde a educação, ensino superior, administração pública e economia, têm de trabalhar juntos e com o parlamento. As regras que orientam a nossa economia e sociedade tradicional vão precisar de mudar em função das alterações que a sociedade digital vai trazer”, advertiu o membro do Governo.

Pedro Siza Vieira considerou mesmo que Portugal, assim como muitos outros países, se confronta com “um mundo de oportunidades e de ameaças”. No entanto, para o “número dois” do Governo liderado por António Costa, a transição digital “pode ser a alavanca de aceleração do crescimento económico do país”. “O recurso mais importante que temos é a capacidade de trabalho, a inteligência e a resistência dos portugueses. Numa economia em que aquilo que mais interessa é o conhecimento, talvez seja a nossa a oportunidade para darmos um salto de desenvolvimento”, sustentou.

Para Pedro Siza Vieira, porém, “o país tem ainda muitas coisas por fazer para poder aproveitar essas oportunidades” do digital, começando “pela capacitação das pessoas, pela forma como os jovens aprendem nas escolas e pela capacidade de requalificação da população ativa, sobretudo das gerações mais velhas”. “Temos de conseguir transformar digitalmente as nossas empresas. Neste aspeto, 25% das nossas empresas têm um grau de maturidade digital ao nível dos melhores do mundo, mas três quartos não estão ainda preparadas”, referiu o ministro de Estado e da Economia.

De acordo com o membro Governo, “é preciso estimular o aparecimento de novas empresas que desenvolvam novos modelos de atividade e novos produtos e serviços à volta da economia digital”. “Precisamos de um Estado e de uma administração pública que seja aberta, ágil e transparente, funcionando do ponto de vista digital e que esteja plenamente conectada com a economia e com a sociedade, sendo ainda um motor de transformação”, acrescentou Siza Vieira.