O hospital de São João, no Porto, já está a realizar análises ao Covid-19 nos laboratórios próprios, tornando-se o primeiro a ter autonomia do Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa.

O último caso suspeito, de um doente vindo de Milão, já foi analisado no serviço de patologia clínica do hospital, embora ainda tivesse sido validado pela única instituição até agora capaz de realizar estes testes.

Esta é a melhor forma de agilizar o processo de obtenção dos resultados, defende Tiago Guimarães, diretor do serviço de patologia clínica. É necessário “encurtar tempos” num processo que antes obrigava a enviar cada amostra do Porto para Lisboa.

No entanto, o aumento de infetados em Itália e o surgimento do primeiro doente suspeito vindo daquele país tornou a medida mais urgente, dada a probabilidade acrescida de Portugal poder vir a ter doentes infetados no futuro.

O hospital da cidade do Porto já estava a preparar-se desde o início de janeiro, confirmou o clínico, mas faltava comprar os reagentes para proceder aos testes em laboratório e afinar o processo com a Direção-Geral de Saúde e com o Instituto Ricardo Jorge, “a referência para a obtenção destes resultados”, assegura.

“Nós tivemos há cerca de três semanas uma reunião no Instituto Ricardo Jorge. Na semana passada já tínhamos utilizado as amostras dos casos suspeitos que enviámos para Lisboa, e que deram negativo, para testarmos aqui”, Tiago Guimarães, diretor do serviço de patologia clínica do hospital de São João.

Tiago Guimarães está “convencido” de que o mesmo poderá acontecer no hospital Curry Cabral, apesar de este hospital se encontrar geograficamente mais próximo do Instituto Ricardo Jorge, e acredita em breve também ser possível para as regiões autónomas da Madeira e dos Açores realizarem análises internamente, já que “é um transtorno enorme enviar uma amostra” para o continente”. “A DGS tem isso previsto”, garante ao Observador.

Embora no futuro esteja prevista mais autonomia por parte dos vários hospitais, a regra é, numa primeira fase, haver sempre uma validação pelo Instituto Ricardo Jorge.