Há um novo satélite natural a orbitar a Terra, anunciou o Observatório Astrofísico Smithsonian. Chama-se 2020 CD3, tem o tamanho de um carro, dá uma volta ao planeta a cada 47 dias e ficou preso na força gravítica da Terra há três anos. Mas é sol — ou, neste caso, lua — de pouca dura: a órbita de 2020 CD3, que é oval e chega a afastar-se muito da Terra, sugere que um dia escapará do campo de atração do planeta.

Tudo começou quando, a 15 de fevereiro, os astrónomos Kacper Wierzchos e Teddy Pruyne encontraram um objeto com brilho muito ténue a atravessar o céu nas Montanhas Catalina, no estado norte-americano do Texas. Quatro dias depois, outros seis observatórios relataram ter encontrado o mesmo objeto naquela noite. Tinha entre 1,90 e 3,50 metros de diâmetro e parecia orbitar a Terra há três anos.

Uma análise aos dados recolhidos ao objeto mistério concluiu que 2020 CD3 é um asteroide Amor — o nome dado aos objetos deste tipo que circulam em redor do Sol numa órbita entre a Terra e Marte; e entra também na categoria Apolo porque está mais tempo perto de nós do que do Planeta Vermelho. 2020 CD3 é essencialmente composto por carbono, tal como 75% dos outros asteroides conhecidos pelos cientistas.

Mas 2020 CD3 está apenas de visita, avisaram os astrónomos. A órbita que o asteroide completa em redor da Terra é tão instável que o mais provável é acabar por escapar à força gravítica da Terra e reduzir o número de satélites naturais terrestres novamente para apenas um — a fiel Lua, que está na nossa vizinhança há 4,5 mil milhões de anos. 2020 CD3 deve partir para outras bandas já em abril deste ano.

Ainda assim, a curta relação entre a Terra e este asteroide é importante para a astronomia. Entre os milhões de asteroides conhecidos no Sistema Solar, e entre os quase 7.500 que orbitam o Sol algures entre a Terra e Marte, apenas dois deles chegaram a ser captados para o campo gravítico do nosso planeta. Antes de 2020 CD3, apenas 2006 RH120 tinha feito uma visita semelhante à Terra.

2006 RH120 surgiu a orbitar a Terra entre setembro de 2006 e junho de 2007, altura em que escapou do campo gravítico da Terra e regressou à órbita que costuma fazer em torno do Sol. Este asteroide, que tinha entre dois e três metros, nunca mais visitou a Terra, mas isso pode acontecer novamente. De vez em quando,  2006 RH120 aproxima-se tanto da Terra que pode mesmo juntar-se à Lua no bailado em torno do nosso planeta. Mas voltará a escapar, tal como acontecerá com 2020 CD3.

A órbita da última Lua temporária da Terra, 2006 RH120. Créditos: Tony Dunn