Vários grupos editoriais portugueses decidiram suspender a publicação de novos títulos até que o mercado livreiro e editorial, que também está a sofrer as consequências da pandemia de Covid-19, normalize. Porto Editora, Leya e Penguin Random House confirmaram que irão adiar todos lançamentos agendados para as próximas semanas, uma medida que se espera que seja em breve tomada por outras editoras.

No caso da Leya, o maior grupo editorial português, a decisão de “suspender a publicação das novidades”, “dadas as circunstâncias extraordinárias que o país atravessa”, abrange os meses de março e abril. Ao Observador, fonte oficial adiantou que o grupo “aguardará pela normalização do mercado para retomar a publicação de novas edições”. Enquanto isso, “todos os livros da Leya já editados estão disponíveis [para compra] em formato físico e e-bookna página da editora e “em todas as livrarias online disponíveis em Portugal.

O grupo Porto Editora também optou pela suspensão de “todas as novidades previstas para as próximas semanas”, confirmou ao Observador fonte oficial. “Quando o setor estiver outra vez a trabalhar em pleno, colocaremos as novidades no mercado.” Tal como no caso da Leya, Porto Editora tem também disponível para compra todos os lançamentos anteriores na Wook e outras lojas online.

A Penguin Random House, o primeiro grupo editorial português a anunciar o adiamento temporário de publicações, informou nesta quarta-feira que, “dadas as circunstâncias atuais decorrentes da pandemia do novo coronavírus, que restringem grandemente a circulação de pessoas e o acesso às livrarias e demais espaços onde se vendem livros, entendemos que o caminho mais sensato passa por adiar a publicação de todas as novidades que estavam previstas para as próximas semanas”. O grupo espera poder retomar a publicação no início de maio, mas a data “poderá ser reavaliada em função da evolução epidemiológica e da reunião das condições necessárias para a normal difusão e comercialização dos nossos livros”.

A suspensão de novas publicações não significa, contudo, a paralisação do trabalho editorial, que continuará a ser feito. “Isto não significa que as equipas estejam paradas. Continuam a trabalhar nos muitos projetos que temos no calendário para os próximos meses e a trabalhar com os autores”, explicou fonte oficial da Porto Editora. Também a Leya frisou que “continuará a trabalhar no seu plano editorial de 2020”.

Grupo Bertrand suspende publicações e fala em “enorme impacto” nas vendas

Questionado pelo Observador, a administração do Grupo Bertrand Círculo admitiu que também vai suspender “todos os lançamentos de março e abril, na expectativa de que em breve possamos retomar o nosso plano, assegurando que todos os lançamentos terão a dignidade e a relevância que os nossos autores merecem”. O grupo editorial continuará também a trabalhar, mas “numa lógica de trabalho remoto que nos coloca novos desafios dado que os nossos processos estão ainda a ajustar-se a esta realidade temporária”, admitiu a Bertrand.

Na mesma resposta, a Bertrand admitiu que as chancelas do grupo estão já a sofrer “um enorme impacto nas suas vendas”, embora não seja ainda possível “estimar, com total segurança, a real dimensão da perda de volume de negócios”. “Por esse efeito, ambas as unidades de negócio [Círculo de Leitores e Bertrand Editora] foram já forçadas a reequacionar os planos editoriais”, disse ainda o grupo editorial.

“Estamos certos que assim que esta fase seja ultrapassada e o bem-estar e a segurança de todos estejam novamente assegurados, todas as nossas chancelas estarão preparadas para retomar os encontros entre os nossos autores e os seus leitores.”

Editoras combatem fecho das livrarias com iniciativas alternativas

Para contornar a situação, a Penguin Random House criou uma agenda online que inclui, entre outras iniciativas, lançamentos de livros em direto nas redes sociais. Para esta semana, estão marcadas as apresentações de Nutrição com Coração, em direto a partir do Instagram da autora, a nutricionista Ana Bravo (20 de março, às 17h), e de Apóstata!, no Facebook do autor António Madaleno (21 de março, às 16h).

Já a Leya pediu aos seus autores que partilhassem sugestões de leitura e outras abordagens aos livros e à literatura. A resposta surgiu sob a forma de vídeos, textos ou partilha de poemas. Estes conteúdos estão disponíveis nas redes sociais através da hashtag #leyaemcasa.

A Porto Editora lançou a iniciativa #LerDoceLer, que irá fazer chegar às redes sociais vídeos ou fotografias com sugestões de livros ou leituras de excertos e de poemas, mostrando “como os livros podem resgatar-nos e levar-nos até onde a nossa imaginação quiser, mesmo em momentos de isolamento social”.

Artigo atualizado às 17h04 com a iniciativa #LerDoceLer da Porto Editora