O Papa Francisco telefonou esta semana a um bispo católico dos EUA para o felicitar por ter homenageado, juntamente com alguns padres da diocese de El Paso (no estado norte-americano do Texas), o cidadão afro-americano George Floyd, assassinado pela polícia na cidade norte-americana de Minneapolis em 25 de maio.

Na última segunda-feira, Mark Seitz, bispo de El Paso, juntou-se a 12 padres daquela diocese texana num momento de homenagem a Floyd. Durante oito minutos e 46 segundos (o tempo que o afro-americano esteve imobilizado por um agente da polícia antes de morrer), o bispo e os padres ajoelharam-se com rosas na mão, olhos fechados e cartazes com a inscrição “Black Lives Matter“.

O momento de homenagem, em que o bispo expressou a solidariedade da Igreja Católica para com a luta anti-racismo nos Estados Unidos, ficou registado em fotografias e chamou a atenção do próprio Papa Francisco, que, na quarta-feira, telefonou ao bispo Mark Seitz.

O líder da Igreja Católica falou com o bispo norte-americano em espanhol para lhe dizer que estava grato pela atitude tomada pelo clero da diocese. “Através de mim, ele expressou a sua união com todos os que estão dispostos a chegar-se à frente e a dizer que é precisa uma mudança”, disse o bispo em declarações citadas pela CNN.

“Isto nunca deveria acontecer de novo. Onde houver falta de respeito pelos seres humanos, onde houver julgamentos com base na cor da pele, isto tem de ser terminado pela raiz”, afirmou o Seitz. “Seja nas autoridades, no mundo empresarial, no governo, em qualquer aspeto da nossa sociedade, isto tem de mudar. E agora sabemos, muito claramente, que o Santo Padre está a tornar esta na sua própria oração.”

O Papa Francisco já se tinha pronunciado publicamente sobre o assassinato de George Floyd às mãos da polícia norte-americana, condenando todas as formas de “racismo e exclusão”.

Esta semana, através do Twitter, o Papa deixou também uma mensagem sobre o assunto. “Não podemos tolerar nem fechar os olhos sobre qualquer tipo de racismo ou exclusão. Ao mesmo tempo, devemos reconhecer que a violência é autodestrutiva e autolesionista. Nada se ganha com a violência. Rezemos pela reconciliação e pela paz”, escreveu Francisco.